domingo, 29 de junho de 2008

ALFABETIZAÇÃO E DISLEXIA:

Em nenhuma outra época da História, a capacidade para adquirir habilidades acadêmicas e qualificações tem sido um fator tão importante em um mercado de trabalho altamente competitivo.
Atualmente, todas as crianças em países desenvolvidos freqüentam escola e os pais têm interesse em seu progresso.
Tem havido uma grande conscientização de que alguns problemas emocionais da adolescência e da vida adulta estão relacionados com as dificuldades escolares, que se não forem devidamente administradas na infância podem desempenhar um papel importante na redução da auto-estima e na capacidade de lidar com a vida posteriormente.
Com a conscientização de que muitos problemas de desenvolvimento e de comportamento possuem causas biológicas fundamentais, a procura por tais causas em condições como dificuldades específicas de aprendizagem tem-se intensificado. Crianças com estas dificuldades têm, assim, menos probabilidade de serem estigmatizadas como preguiçosas, fato que ocorria freqüentemente no passado.
Com a massificação do ensino, as escolas abriram suas portas para as mais diversas condições humanas sem , no entanto, repensarem sua prática.

1.1 . DISLEXIA - O QUE VEM A SER?

Epistemologicamente, Dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que as crianças da mesma faixa etária. Todo desenvolvimento da criança é normal, trata-se de um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita (DROUET, 2003, p.137).
A Dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita, é uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem, para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras. As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas. A dislexia é herdada, portanto, uma criança disléxica tem um pai, tio ou primo que também é disléxico e a incidência difere de acordo com o sexo: para cada três homens disléxicos há apenas uma mulher.
Segundo SELIKOWITZ (2001,p. 3), para melhor entender a causa da dislexia, é necessário conhecer, de forma geral, como funciona o cérebro.
Diferentes partes do cérebro exercem funções específicas. A área esquerda do cérebro, por exemplo, está mais diretamente relacionada à linguagem; nela foram identificadas três sub-áreas distintas: uma delas processa fonemas, outra analisa palavras e a última reconhece palavras. Essas três subdivisões trabalham em conjunto, permitindo que o ser humano aprenda a ler e escrever.
Uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa então a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras a seus respectivos sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver; sua função é a de construir uma memória permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. À medida que a criança progride no aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a dominar o processo e, conseqüentemente, a leitura passa a exigir menos esforço.
O cérebro de disléxicos, devido às falhas nas conexões cerebrais, não funciona desta forma. No processo de leitura, os disléxicos recorrem somente à área cerebral que processa fonemas. A conseqüência disso é que disléxicos têm dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas, pois sua região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida (SELIKOWITZ,2001, p.

No disléxico a idade de leitura pode ser até dois anos inferior à idade cronológica e esse déficit se traduz em dificuldades e demora para ler, geralmente observa-se também grafia ruim e erros ortográficos ao escrever, assim como omissão de letras e espelhamento.
A dislexia não tem cura, mas existem tratamentos que permitem que as pessoas aprendam estratégias para ler e entender. A maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos ajudam os disléxicos a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. Ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção, mas toda criança disléxica necessita de apoio e paciência, pois essas crianças sofrem de falta de autoconfiança e baixa auto-estima, pois se sentem menos inteligentes que seus amigos (MARTINS, 2004).

1.2 . COMO IDENTIFICAR?

A dificuldade específica de leitura ou Dislexia, é a mais conhecida e mais estudada forma de dificuldade específica de aprendizagem, conforme já afirmamos anteriormente.
Para que o termo Dislexia tenha algum significado, ele deve ser utilizado somente para crianças que tenham consideráveis dificuldades para aprender a ler, que estejam fora da média (SELIKOWITZ, 2001,p.5).
A Dislexia, normalmente, é diagnosticada quando a criança está na escola; na maioria das vezes, ela não se torna evidente até que aumentem as exigências do trabalho acadêmico, a partir dos oito anos de idade.
As áreas de aprendizagem envolvidas nas dificuldades reúnem habilidades acadêmicas básicas: leitura, escrita, ortografia, aritmética e linguagem (compreensão e expressão). Essas são habilidades fáceis de avaliar e são de importância fundamental para o sucesso escolar.
De acordo com SELIKOWITZ (2001, p.4), é muito normal que uma criança enfrente problemas em habilidades como leitura, escrita, ortografia e aritmética no primeiro ou segundo ano escolar, mas, após esse período, ela deve atingir um nível básico de competência. Deve-se suspeitar caso a criança pareça estar aquém de suas potencialidades e não esteja demonstrando sinais de tornar-se competente nas habilidades acadêmicas básicas. Se a criança continua a encontrar dificuldades em leitura depois deste período, ela pode ter uma dificuldade específica de aprendizagem. Deve ser observado que o diagnóstico da dificuldade específica de leitura é baseado no grau de atraso da leitura e não em tipos específicos de erros que a criança comete.
Embora pais e professores sejam os primeiros a suspeitar que uma criança tenha Dislexia, uma avaliação global deve ser providenciada.

1.2.1. O QUE VEM A SER UMA AVALIAÇÃO GLOBAL?

Avaliação global é um processo em que a natureza exata da dificuldade de aprendizagem da criança é estabelecida. Nesta avaliação, as potencialidades e dificuldades são avaliadas especificamente, além disso, métodos apropriados de tratamento são planejados.
Segundo SELIKOWITZ (2001, p. 16), a equipe é composta por pediatras, psicólogos, assistentes sociais e, às vezes, enfermeiras, terapeutas e professores.
De acordo com SELIKOWITZ (2001, p.15), uma avaliação global requer a experiência tanto de um psicólogo educacional como de um pediatra, trabalhando em estreita cooperação. Os papéis destes profissionais se complementam para estabelecer a natureza e a causa da dificuldade da criança.
A avaliação das habilidades da criança é fornecida por uma série de profissionais de diferentes áreas, trabalhando em equipe. Trata-se de uma equipe multidisciplinar com amplo conhecimento e experiência com crianças portadoras de diversas dificuldades de aprendizagem.
O autor SELIKOWITZ afirma ainda que o fonoaudiólogo, o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional também desempenham papel importante na avaliação de crianças com dificuldade de aprendizagem.
Crianças com dificuldade de escrita e leitura normalmente necessitam de uma avaliação feita por um terapeuta ocupacional.
O psicólogo e o pediatra farão a avaliação em alguns estágios:

Coleta de informação sobre a criança (anamnese).

Avaliação da criança.

Recomendação de um plano de tratamento apropriado.