domingo, 27 de abril de 2008

A LINGUAGEM INFANTILIZADA ATÉ ONDE COMPROMETE O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA


Muitos pais acham engraçado quando o filho diz tasa no lugar de "casa" ou tem no lugar de "trem".Mas essa conversa em linguagem tatibitati pode ser menos inocente do que parece.

Falar errado atrapalha o desenvolvimento da criança, prejudicando o prendizado da língua e a alfabetização.

Quem nunca achou graça de uma criança dizendo "Manhê não chei onde ta meu tapato"?

E quantas vezes nós nos dirigimos às crianças usando esses mesmos termos infantilizados? Essa maneira carinhosa e aparentemente inofensiva de se comunicar com os pequenos pode colocar em risco seu desenvolvimento da fala e é também uma forma de subestimar sua capacidade intelectual. Ao utilizar palavras erradas, no diminutivo, em linguagem infantilizada, estamos fazendo com que a criança assimile o idioma de modo equivocado. A repetição, para a criança, é importante no processo de aquisição da linguagem. Falar com elas trocando e omitindo letras ou distorcendo palavras, tais como pepeta, papá, dedeira, pode atrapalhar muito. Esse procedimento reforça um padrão desciado do normal, provocando muitas vezes um distúrbio da fala.Esse distúrbio deve ser levado muito a sério, pois pode implicar outros comprometimentos. Para começar, pode induzir as crianças a transpor suas trocas orais para a linguagem escrita, durante a alfabetização. Pode também ter conseqüências nas relações sociais, uma vez que a criança se sentirá envergonhada diante dos amigos e de pessoas de seu convívio. Freqüentemente, essas crianças se tornam retraídas, tímidas e inseguras, evitando situações em que tenham que se expor.Qualquer alteração na linguagem deve ser detectada o mais cedo possível. Até os 4 anos, é natural que a criança troque ou omita alguns fonemas ao falar. Afinal, ela está numa fase de aquisição de vocabulário. Ao reproduzir essa linguagem, acabamos por perpetuá-la. A persistência dessas trocas após os 4 anos deve ser cuidadosamente avaliada por um fonoaudiólogo, que inclusive, poderá determinar se o tipo de erro pe relevante para um possível tratamento.É comum em nosso dia-a-dia o surgimento de acasos de crianças que apresentam esses problemas. È claro que nem sempre eles são provocados pela forma como os pais falam com seus filhos. Podem ter inúmeras causas, desde problemas neurológicos, perda auditiva, estimulação inadequada ou até mesmo falta de treino, pois muitos adultos "adivinham" o que a criança quer, dispensando seu esforço para falar.O papel dos pais é tão importante nesse processo que às vezes o tratamento consiste muito mais em orientá-lo do que em um trabalho específico com a criança.Cabe a eles, aprender como lidar com as trocas de sílabas e palavras que a criança faz. Não raramente, só com a mudança de comportamento dos pais já se pode observar uma melhora.

Foi o que aconteceu com um paciente de 3 anos que, além de falar pouco, o que falava não se podia entender. Os pais da criança trabalhavam em horário integral e ela ficava com a babá, que apesar de ser boa profissional não era de muita conversa. Os pais foram orientados para colocá-la numa escola e destinar algum tempo para estimulá-la através de brincadeiras, historinhas, fortalecendo o próprio vínculo familiar. Pode parecer uma coisa tola, mas tola é a nossa atitude diante dos pequenos, tratando-os como se fossem bobos. È necessário que os pais façam uma reflexão e avaliem o modo como se comunicam com seus filhos. Não falando de forma infantilizada, jamais repetindo palavras erradas, não chamando a atenção a todo o instante para seus erros, corrigindo-os de forma natural, dando o padrão correto.O melhor caminho para isso é lidar com ele sem se esquecer de que são inteligentes e tem muita capacidade de aprender. Conversar com eles é muito importante. Carinho e atenção continuam sendo extremamente necessários.

Isabel Aparecida Pochini Zecchini---Fonoaudióloga

CHICO BENTO: das histórias em quadrinhos para a vida -

Através de uma linguagem interativa e feita para todas as idades, os gibis do Chico Bento retratam a história do inocente menino do campo, que fala errado (de acordo com a Gramática Normativa), tem amigos na roça em que vive, para uma melhor caracterização do personagem (espaço/campo), e um primo para caracterizar as diferenças entre campo/cidade.Chico Bento, morador de Vila Abobrinha, é um personagem fictício, construído a partir da biografia de Mauricio de Sousa, que o espelhou em um tio-avô. Não somente Chico, mas sua Vó (Vó Dita) também faz parte dessa biografia do autor, uma vez que essa lhe contava várias histórias que por ele foram publicadas. A linguagem, utilizada nas histórias, mostra que o protagonista é o típico caipira do interior, mas com trejeitos de 40 anos atrás. A visão de caipira, como o menino que mora na roça, fala errado, anda descalço, conversa com os animais e gosta da natureza, é como se fosse uma comparação que o autor faz embasado em determinado período da História para os dias atuais. O primo (sem nome) de Chico mostra claramente tais diferenças, pois mora na capital/cidade grande, tem acesso a brinquedos modernos, a computador, fala certo de acordo com a típica figura do cidadão paulistano. Já Chico Bento tem apenas pontos positivos quando está em comparação com o primo. Tais diferenças entre eles podem ser percebidas pelo leitor, não só através do texto, mas também através das imagens. Ou seja, há toda uma semiótica textual alertando o leitor para as diferenças propostas. Criado em 1961, mas tendo sua primeira Revista lançada apenas em 1982, a Turma da Roça traz histórias passadas num ambiente pacato do interior, que acaba fazendo com que seus leitores (crianças) tenham um pré-conceito a respeito da criança do interior. O gibi retrata o paulista (cidade provável - Taubaté-SP), em que um possível contraste com o personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato pode ser enfatizado. Mas também não podemos deixar de fazer alusão aqui ao ilustre Macunaíma, personagem satírico importante de nossa Literatura. Os personagens, além de serem simples, falarem errado e não terem as mesmas noções que uma pessoa da capital (visão política) possa ter são essenciais para a ilustração da História do Brasil, já que vivem da colheita, o que acaba retratando, de um modo-geral, todo um grupo de indivíduos de mão-de-obra barata encontrada por todo país.Além do que dissemos, Maurício de Sousa retrata neste personagem, não somente o menino ingênuo do campo, como chama a atenção para as diferenças dialetais encontradas na cultura brasileira que são quase sempre, dignas de preconceitos.Com o uso de uma linguagem divertida e simples, carregada de imagens e alusões, e visando a igualdade entre as pessoas, Chico Bento é a figura da inocência que falta à sociedade atual. Tal inocência, entretanto, pode se transformar quando as crianças o lêem e descobrem que podem construir um novo mundo, com pessoas no mínimo diferentes.
de Sandra Regina Nóia Mina (G-UFMS)

Referencias Bibliográfica:- Site da Turma da Mônica- Material de Pesquisa da Biblioteca Maurício de Sousa-SP- Exemplar do Chico Bento nº 242- Editora Globo: Maurício de Sousa, 2004.- MOURA & FARACO, Literatura Brasileira.Editora Ática: 2000, 10ª edição - São Paulo.- Tese da Doutoranda Gêisa Fernandes D"Oliveira - Universidade Federal de Pernambuco.- COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil.Editora Moderna: São Paulo, 2000.

sábado, 26 de abril de 2008

A criança de seis anos


Segundo Geisell, as características da criança não devem ser vistas como normas rígidas ou modelos. São apenas exemplos de como a criança nessa idade pode se comportar. “Cada criança tem um esquema pessoal de desenvolvimento, que é único”.
Seis anos é uma idade de transição, que começa aos cinco anos e meio. A criança sofre modificações fundamentais, somáticas, químicas e psicológicas. Começam a cair os dentes de leite, romper os primeiros molares permanentes. Sentem-se orgulhosas de perder os dentes e acreditam nas fadas e nas brincadeiras que se fazem com eles. Ela não é uma criança de cinco anos crescida e melhor, é uma criança diferente, uma criança em transformação. Transformação essa que se equivale à erupção de seus molares. Nela surgem novas propensões, impulsos, sentimentos e ações, devido a modificações profundas que estão ocorrendo no desenvolvimento do seu sistema nervoso. Submetida a mais leve tensão, essa criança pode apresentar comportamentos extremos. Ela reage a tudo com muita energia. Chora muito ou ri muito e muda de um para o outro, voltando para o primeiro. Eu te amo e eu te odeio andam cirandando de braços dados nessa fase. É enfim, uma criança impulsiva, diferente, volúvel, dogmática, compulsiva e excitável. É espontânea e precisa de orientação.
Toda escolha é muito difícil e mesmo depois de feita, não é definitiva. Ela manifesta bipolaridades de maneiras muito diversas, saltando de um sentimento, ou ação para o oposto rapidamente. Parece mesmo que para definir o que não quer, ou não pode fazer, precisa antes fazê-lo.
Suas decisões se baseiam no “código de Talião” – “Olho por olho, dente por dente!”. Você me ajuda e eu te ajudo, você me bate e eu te bato. Simplesmente assim. A nós adultos, cabe lhe desencorajar as atitudes irresponsáveis, reconhecendo que esses impulsos agressivos são experiências novas para ela. Podemos dizer-lhe que está agindo mal, mas não adianta perguntar-lhe porque fez isso ou aquilo, pois ela não saberá responder. Ela precisa de orientação e do comando da autoridade adulta.
Quer sempre ser a primeira, quer sempre ganhar e quer que gostemos mais dela do que das outras crianças. Suas maneiras são geralmente breves: “Obrigado”, ou “Dá licença”, mas nada de formalidades, pois ela não consegue abstraí-las.
Na escrita, tende a fazer as letras viradas. Os pares são seus preferidos, dois é melhor do que três. Brinca melhor com um colega do que com dois.
É nessa idade, de seis anos, que a criança mostra-se mais interessada em festas. O que não significa que se comporte nelas como os adultos esperam.
A professora que a entende bem, interpretando sua energia como sinal de um processo de crescimento, pode orientá-la melhor, fazendo da sala de aula um ambiente harmonioso, onde a criança se sentirá segura.
A dramatização que a criança faz é um mecanismo natural, perante o qual a criança organizar seus sentimentos e pensamentos. Ela está na idade do concreto, identifica-se com tudo o que está ao seu redor, com as figuras e letras, com os números e sente necessidade de projetar suas atitudes mentais e motoras em situações de sua vida cotidiana. A escola precisa, portanto, favorecer-lhe a organização simultânea de suas emoções e aprendizado. Essa criança não aprende decorando, mas participando de atividades criadoras. Assim, ela gosta de jogos representativos, dramatizações (que não são meras pecinhas de teatro adaptadas para sua idade), imitações, desenhos e montagens. Sua mente ainda não está preparada para o ensino formal da leitura e da escrita, nem da matemática. Essas matérias precisam lhe parecer vivas, associadas com criatividade e experiências motoras vividas.
Uma professora cordial lhe dará confiança no mundo. A criança de seis anos gosta de rotinas sociais, gosta de ritos e convenções, em cuja repetição diária possa confiar, podendo até demonstrar desgosto se a professora mudar o jeito de prender o cabelo. Pode ser que, por fazer constantes descobertas, anseie por ter alguns pontos fixos em sua mente.
Ela está se ajustando em dois mundos, o de casa e o da escola. A transição do mundo familiar para o escolar é tão sério que pode chegar a provocar verdadeiras cólicas e reações emocionais sérias. Deixa a mãe na porta da escola, um conversa da mãe com a professora, a troca de professores, uma visita inesperada da mãe fazem sofrer as crianças, ainda mais se forem imaturas e sensíveis. Se a professora tem personalidade seca e severa, se tem métodos disciplinares e pedagógicos rígidos e dão importância demais ao ensino acadêmico, a competição e aos resultados dos alunos, só atrapalhará a vida desses pequenos.


Bibliografia: GESELL, Arnold. A criança dos 5 aos 10 anos. Publicações Dom Quixote. Editora Império. Lisboa/Portugual. 1977.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Problemas como dislexia, disgrafia, déficit de atenção são comuns e começam a aparecer na alfabetização


22/01/2008 - O Estado de S. PauloObserve o rendimento do seu filho O Estado de S. Paulo -Renata Gama Quando a criança apresenta desempenho abaixo da média na escola, falta de vontade de ir para a aula, auto-estima baixa e até sintomas físicos, como dores de cabeça, de barriga ou mesmo vômito e febre, os pais devem ficar atentos. Estes podem ser sinais de transtorno de aprendizagem.
Conforme a psicopedagoga e coordenadora da Equipe de Diagnóstico de Atendimento Clínico (Edac), Raquel Caruso, transtornos como dislexia, disgrafia, distúrbios de atenção e hiperatividade, apesar de comuns - atingem cerca de 10% de uma sala com 40 alunos -, levam tempo para serem diagnosticados. É que outros problemas físicos, como dificuldades de visão e audição, ou psicológicos, como má adaptação a uma escola, também afetam o desempenho dos alunos na escola. Em todos os casos, a primeira recomendação é a mesma: observar. Quanto antes o problema for identificado, mais rápido os filhos serão tratados, evitando mais perdas e atrasos no processo de aprendizagem. “Se identificado o problema na infância, a criança aprende a lidar com as limitações e a trabalhar com as dificuldades”, diz Raquel. Um dos transtornos mais conhecidos é a dislexia - dificuldade de assimilar a linguagem escrita -, o mesmo vivido pela adolescente Clarissa, personagem interpretado pela atriz Bárbara Borges na novela Duas Caras, da Globo. O problema, explica a psicopedagoga, é congênito e não tem relação com a inteligência, já que a pessoa é capaz de absorver informações. “Muitas vezes elas apresentam Q.I. superior ao das outras.” Mesmo assim, é preciso que a criança receba cuidados especiais. Nestes casos, os professores devem saber que esses alunos precisam de mais tempo para copiar textos e fazer as provas. Há instituições que permitem que alguns testes sejam orais. “As escolas estão abrindo espaço para adaptação.” Em casa, os pais devem acompanhar as tarefas de perto. “Antes das provas, reviso tudo em voz alta para o meu filho”, conta Rita Hipólito, mãe de Renato, de 12 anos, diagnosticado com dislexia há dois anos. Mas as dificuldades na escola começaram aos cinco anos. “Ele não queria fazer exercícios de coordenação motora. E o problema ficou mais acentuado na fase de alfabetização”, recorda Rita.

TRATAMENTO ADEQUADO Após passar por uma psicóloga que suspeitou do transtorno, Renato foi encaminhado para uma clínica especializada. Lá, passou por exames feitos por uma equipe multidisciplinar, com profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia. Quando o transtorno é identificado, são criadas estratégias de estimulação adequadas ao cérebro. “A terapia serve para ensinar como lidar com as dificuldades. Mas não é para ser uma muleta para sempre”, afirma a psicopedagoga. Renato já sente os resultados: “Antes era muito difícil. Agora, consigo ler e escrever melhor.” Não por acaso, a matéria que ele menos gosta é Língua Portuguesa. Já a que tem maior facilidade é matemática. Até consegue fazer as contas de cabeça. Na escola, o método de ensino dos professores não muda. Mas Renato recebe uma atenção maior. Além disso, ele tem dez minutos a mais que os colegas para terminar as provas. “Já ajuda. Tento fazer no tempo certo, mas se eu precisar dos dez minutos, eu uso.” Outros transtornos comuns são o déficit de atenção e hiperatividade “Os dois são a mesma patologia”, explica Raquel. A dificuldade de ambos é a concentração. A criança com déficit de atenção se distrai facilmente, enquanto a hiperativa fica agitada. Há ainda a disgrafia (letra feia), problema em que a criança tem dificuldade transformar a informação do plano vertical para o horizontal, como copiar textos da lousa. E também a discalculia: dificuldade com números. Como identificar distúrbios Check-up: Verifique primeiro as condições de saúde da criança. Exames de sangue e de tiróide identificam anemias e distúrbios hormonais que podem provocar desânimo e reduzir a atenção. Crianças que respiram pela boca também podem apresentar distúrbios de aprendizagem por falta de oxigenação no cérebro Visão e audição: Exames oftalmológicos e auditivos devem ser feitos anualmente, de preferência antes do período letivo. Em seis meses, a criança pode apresentar a dificuldade e não sabe identificar sozinha que aquilo não é normal. Há casos de inflamação nos ouvidos que não apresentam dor, a criança apenas sente como se estivesse com um tampão Aspectos emocionais: Segundo a psicopedagoga Raquel Caruso, a pergunta que os pais devem se fazer é: a criança sempre foi assim ou é algo do momento? Às vezes, um fato específico, como a troca de uma babá, a perda de um parente ou separação dos pais também podem afetar na aprendizagem Má adaptação: Há escolas com diferentes métodos de aprendizagem. Quando a escolha não é adequada, a auto-estima da criança cai e ela passa a não querer freqüentar as aulas. Procure conhecer o perfil de aprendizagem ideal para o seu filho e peça orientação aos professores, a escola tem de ser honesta. Se o método for inadequado, o recomendável é matriculá-lo em outra instituição Agenda superlotada: Se a criança cumpre uma série de atividades extra-curriculares, como natação, inglês, balé, futebol, música, ela não tem tempo para brincar e pode apresentar transtorno de aprendizagem funcional. Nesses casos, o recomendável é que se opte por apenas uma atividade. O ideal é que a criança tenha um período para descansar, digerir e absorver o que aprendeu na escola Clínica especializada: Se os problemas citados estão eliminados e a criança permanece com dificuldades, procure uma clínica especializada para que ela passe por exames feitos por uma equipe multidisciplinar

DISGRAFIA


O que é:

A disgrafia é também chamada de letra feia. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. Ao tentar recordar este grafismo escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando a letra ilegível.
Algumas crianças com disgrafia possui também uma disortografia amontoando letras para esconder os erros ortográficos. Mas não são todos disgráficos que possuem disortografia
A disgrafia, porém, não está associada a nenhum tipo de comprometimento intelectual.

Carcaterísticas:

- - Lentidão na escrita.
- - Letra ilegível.
- - Escrita desorganizada.
- - Traços irregulares: ou muito fortes que chegam a marcar o papel ou muito leves.
- - Desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial.
- - Desorganização do texto, pois não observam a margem parando muito antes ou ultrapassando. Quando este último acontece, tende a amontoar letras na borda da folha.
- - Desorganização das letras: letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas, omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários à escrita (um S ao invés do 5 por exemplo).
- - Desorganização das formas: tamanho muito pequeno ou muito grande, escrita alongada ou comprida.
- - O espaço que dá entre as linhas, palavras e letras são irregulares.
- - Liga as letras de forma inadequada e com espaçamento irregular.

O disgráfico não apresenta características isoladas, mas um conjunto de algumas destas citadas acima.

Tipos:

Podemos encontrar dois tipos de disgrafia:
- Disgrafia motora (discaligrafia): a criança consegue falar e ler, mas encontra dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, palavras e números, ou seja, vê a figura gráfica, mas não consegue fazer os movimentos para escrever
- Disgrafia perceptiva: não consegue fazer relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam os sons, as palavras e frases. Possui as características da dislexia sendo que esta está associada à leitura e a disgrafia está associada à escrita.

Tratamento e orientações:

O tratamento requer uma estimulação lingüística global e um atendimento individualizado complementar à escola.
Os pais e professores devem evitar repreender a criança.
Reforçar o aluno de forma positiva sempre que conseguir realizar uma conquista.
Na avaliação escolar dar mais ênfase à expressão oral.
Evitar o uso de canetas vermelhas na correção dos cadernos e provas. Conscientizar o aluno de seu problema e ajudá-lo de forma positiva
Simaia Sampaio

DISORTOGRAFIA


Até a 2ª série é comum que as crianças façam confusões ortográficas porque a relação com os sons e palavras impressas ainda não estão dominadas por completo. Porém, após estas séries, se as trocas ortográficas persistirem repetidamente, é importante que o professor esteja atento já que pode se tratar de uma disortografia.
A característica principal de um sujeito com disortografia são as confusões de letras, sílabas de palavras, e trocas ortográficas já conhecidas e trabalhadas pelo professor.

Caraterísticas:

- - Troca de letras que se parecem sonoramente: faca/vaca, chinelo/jinelo, porta/borta.
- - Confusão de sílabas como: encontraram/encontrarão.
- - Adições: ventitilador.
- - Omissões: cadeira/cadera, prato/pato.
- - Fragmentações: en saiar, a noitecer.
- - Inversões: pipoca/picoca.
- - Junções: No diaseguinte, sairei maistarde.

Orientações:

Estimular a memória visual através de quadros com letras do alfabeto, números, famílias silábicas.
Não exigir que a criança escreva vinte vezes a palavra, pois isso de nada irá adiantar.
Não reprimir a criança e sim auxiliá-la positivamente.

domingo, 20 de abril de 2008

CONSTRUINDO O CONHECIMENTO




No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. As crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem, se esforçando por compreendê-los e expressando por meio de brincadeiras as condições de vida a que estão submetidas, seus anseios e desejos. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças.A concepção de construção de conhecimentos pelas crianças em situações de interação social foi pesquisada, com diferentes enfoques e abordagens, por vários autores, dentre eles: Jean Piaget, Lev Semionovitch Vygotsky e Henry Wallon. Nas últimas décadas, esses conhecimentos que apresentam tanto convergências como divergências, têm influenciado o campo da educação. As teorias construtivistas preconizam tanto a ação do sujeito, como o papel significativo da interação social no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança.
Postado por Erika Araújo Uhlemann Corrêa,

Trabalhando com Material Dourado e Blocos Lógicos nas Séries Iniciais


Karen Daltoé
Sueli Strelow
Maria Montessori

Maria Montessori (1870-1952), nasceu na Itália. Interessou-se pelo estudo das ciências, mas decidiu-se pela Medicina, na Universidade de Roma. Direcionou a carreira para a psiquiatria e logo se interessou por crianças deficientes. “A grande contribuição de Maria Montessori à moderna pedagogia foi a tomada de consciência da criança”, percebendo que estas respondiam com rapidez e entusiasmo aos estímulos para realizar tarefas, exercitando as habilidades motoras e experimentando autonomia.
Devido sua formação médica teve fortes influências positivistas, acreditava na experiência sensível externa que dá ao homem o progresso da inteligência, para que ele possa deixar de egoísmo e viver também para os outros.

Para ela a educação deve ser efetivada em etapas gradativas, respeitando a fase de desenvolvimento da criança, através de um processo de observação e dedução constante, feito pelo professor sobre o aluno. Na sua visão a criança traz consigo forças inatas interiores, pré-disponibilizada para aprender mesmo sem a ajuda do alheio, partiu de um princípio básico: A CRIANÇA É CAPAZ DE APRENDER NATURALMENTE. Buscando desenvolver essas energias, acredita que o educando adquire conhecimento e se torna livre para a expressão do seu ser através da liberdade do seu potencial, disse: “DEIXE A CRIANÇA LIVRE, E ELA SE REVELARÁ”. Segundo Montessori , na sala de aula o professor é uma espécie de orientador que ajuda a direcionar o indivíduo no seu desenvolvimento espontâneo, para que o mesmo não desvie do caminho traçado, assegurando a livre expressão do seu ser, sua exigência com o professor era: RESPEITO À CRIANÇA.

A escola criada por Montessori prima pela educação que leva em conta o ser total, também a criança como um todo: a interdependência corpo-mente. O homem não é um ser acabado, pronto. É alguém “em trânsito”, a caminho, sujeito a todas as mutações da Cultura. Para ela, educar é semear, é transmitir VIVÊNCIA. O educador educa através de ATITUDES, que servem como apoio/referencial para criança. Isso mostra sua preocupação com o bem-estar e social da criança e também com o aspecto prático da educação. Ainda segundo ela, a criança aprende mexendo-se (aprendizagem-movimento) num ambiente previamente preparado.
Sua escola foi totalmente adaptada para atender as necessidades da criança, favorecendo a independência do aluno.


DESCOBRIR O MUNDO PELO TOQUE

Nas escolas montessorianas o espaço interno era (e é) cuidadosamente preparado para permitir aos alunos movimentos livres, facilitando o desenvolvimento da independência e da iniciativa pessoal. Assim como o ambiente, a atividade sensorial e motora desempenha função essencial. Ou seja, dar vazão à tendência natural que a garotada tem de tocar e manipular tudo que está a seu alcance.

Maria Montessori defendia que o caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que os pequenos exploram e decodificam o muno ao seu redor. “A criança ama tocar os objetos para depois poder reconhecê-los”, disse certa vez. Muitos dos exercícios desenvolvidos pela educadora – hoje utilizados largamente na Educação Infantil – objetivam chamar a atenção dos alunos para as propriedades dos objetos (tamanho, forma, cor, textura, peso, cheiro, barulho).

O método Montessori parte do concreto rumo ao abstrato. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta. Para tornar esse processo o mais rico possível, a educadora italiana desenvolveu os materiais didáticos que constituem um dos aspectos mais conhecidos de seu trabalho. São objetos simples, mas muito atraentes, e projetados para provocar o raciocínio. Há materiais pensados para auxiliar todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem.
Exemplos desses materiais: blocos maciços de madeira para encaixe de cilindros, blocos de madeira agrupados em três sistemas, encaixes geométricos, material das cores, barras com segmentos coloridos vermelho/azul, algarismos em lixa, blocos lógicos, material dourado, cuisenaire, ábaco, dominó, etc.

sábado, 19 de abril de 2008

Alunos com deficiência, altas habilidades ou transtorno têm direito a matrícula em classe regular


A plenária final da Conferência Nacional da Educação Básica aprovou nesta sexta-feira, 18/4/2008 em Brasília, dentre as suas resoluções, a construção de um sistema de educação inclusivo, proposta defendida como política pública pelo Ministério da Educação. A mesma conferência rejeitou a proposta de continuidade da oferta de escolas e classes especiais para substituir a escolarização.

Essa decisão, na avaliação da secretária de Educação Especial, Cláudia Dutra, fortalece a escola pública para efetivar o direito das pessoas com deficiência, altas habilidades/superdotação ou transtornos globais do desenvolvimento a freqüentar as classes comuns do ensino regular, aprender e participar com a sua geração.

Segundo a secretária, uma conferência que reúne representantes de todos os setores da educação e dos movimentos sociais do país resgata, em suas deliberações, a atribuição da escola pública de receber a todos e reafirma o compromisso constitucional do Estado brasileiro. Fortalece, ainda, as ações de formação continuada de professores, a organização de equipamentos, recursos, materiais didáticos e pedagógicos e adequações nos prédios escolares para a acessibilidade e a oferta do atendimento educacional especializado. “A decisão representa uma conquista dos movimentos de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, na afirmação de educação de qualidade para todos”, avalia Cláudia Dutra.

Para Martinha Clarete, professora da rede municipal de Londrina, no Paraná, que tem deficiência visual, a decisão da conferência “é um marco na história do país”. A aprovação de que a escola pública deve ser inclusiva e que deve se capacitar para exercer essa função abre caminho para a transformação dos sistemas de ensino, onde a diversidade humana deve ter valor máximo. “O que a plenária aprovou, nos dá forças para cobrar ações efetivas de estados e municípios e exigir a oferta de vagas para todos.”

Como pessoa que fez toda a sua formação, do ensino fundamental ao mestrado, em escola pública, Martinha diz que as escolas especiais são segregadoras e assistencialistas. Esse tipo de escola, diz, tutela o aluno e o transforma num ser incapaz de fazer uma reflexão sobre o mundo. “A criança cresce sem autonomia e sem iniciativa. Fica dependente”. Martinha participa da Conferência Nacional da Educação Básica como representante dos Movimentos Sociais de Pessoas com Deficiência e defende valorização das diferenças.

Ionice Lorenzoni

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Habilidade com a leitura e a escrita



O conceito de letramento, muito divulgado no Brasil, nas pesquisas da área de educação pela professora Magda Soares (entre outras), deixou de lado o contraste entre pessoas que sabem e que não sabem ler. O letramento considera graus de intimidade do indivíduo com materiais de escrita e de leitura. Para não assustar ninguém, é bom deixar claro que o letramento é algo que está em nosso dia-a-dia. Nada mais é do que parte de nossa necessidade diária de ação pela linguagem, especialmente lendo e escrevendo.
Quando alguém sabe ler, mas não consegue compreender sequer textos curtos, essa pessoa pode ser alfabetizada, mas tem um nível de letramento muito baixo. Esse nível pode aumentar à medida que o indivíduo aprende a lidar com mais e diferentes materiais de leitura e de escrita. Quanto mais textos alguém é capaz de ler e entender, mais letrado é. Assim também funciona com a escrita. Quanto mais material escrito alguém é capaz de produzir, mais letramento tem. E não adianta produzir apenas em quantidade. É preciso ampliar o leque de possibilidades, ou seja, ler muitas coisas diferentes e saber o que fazer com elas.
Por exemplo: você é capaz de ler bem uma tirinha? Sabe lidar com o texto do rótulo de uma lata de ervilhas? Consegue produzir um bom bilhete para um familiar? Pode se mover na cidade lendo as placas de rua? Sabe como procurar informações numa bula de remédio? Então você tem letramento suficiente para o dia-a-dia. O caixa eletrônico do banco é mais uma possibilidade de letramento. Já que está numa máquina, ficou sendo chamado de letramento digital. As pessoas que entraram nesse tipo de letramento podem atuar na linguagem por meio da leitura e da escrita de textos produzidos no e para o computador, estejam eles na internet ou nos programas de produção e leitura de material textual.
Uma instituição de ensino é a responsável, em grande medida, pelo aumento do letramento das pessoas. É lá que o indivíduo deixa de ler e escrever apenas os textos do dia-a-dia e passa a ter contato com materiais elaborados de maneira diferente, às vezes mais complexos e menos comuns no cotidiano. Na escola, aprendemos a escrever as famosas dissertações. Na faculdade, chovem os resumos, as resenhas e as tenebrosas monografias. Os artigos científicos tornam-se a leitura predileta de quem resolve se especializar na carreira. E, mais tarde, para quem se aprofunda, chegam as dissertações e teses. A leitura literária faz parte da ampliação do letramento. Tudo isso faz aumentar, também, a quantidade e a qualidade das informações na nossa memória, ou seja, nossa bagagem cultural. Isso é letramento. E quando alguém também domina os textos feitos na e para a tela do computador, isso é letramento digital.
Quando o indivíduo entra numa agência bancária e não consegue lidar com as orientações escritas na máquina, é preciso introduzi-lo nessa nova possibilidade de leitura. As escolas, há vários anos, têm oferecido computadores e laboratórios de informática aos alunos para que todos tenham acesso às novas maneiras de ler e escrever. No entanto, nem sempre apenas as máquinas bastam. É preciso que o professor planeje uma nova maneira de dar aulas, um novo jeito de ensinar, com novas tecnologias. Isso é aumentar o letramento e entrar no mundo das possibilidades digitais.

Ana Elisa Ribeiro, professora do Centro Universitário UNA, doutoranda pela UFMG e autora de Letramento digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas.

domingo, 13 de abril de 2008

ORTOGRAFIA: UMA EXIGÊNCIA SOCIAL




Como falar sobre letras, palavras, frases, textos e não mencionarmos a ortografia, um veículo utilizado para clarear a comunicação, mas que acaba virando mecanismo de exclusão?A escrita é uma representação oral da linguagem cujo objetivo é a leitura. Quando escrevemos um texto, utilizamos como recurso as palavras que serão interpretadas pelo leitor. Fazemos uso, também, da escrita ideográfica (números, gráficos etc.).


A fala comanda o ato de escrever. Já “a escrita, na verdade, não passa de um uso sofisticado da própria linguagem oral, cristalizada na forma gráfica” (Cagliari, 1999.p.65).A partir do momento em que a sociedade produziu a escrita e à medida que passou a utilizá-la mais, surgiu a necessidade de fixar a forma de escrever as palavras. Isso para que pessoas de diferentes dialetos pudessem ler de maneira fácil, pois, do contrário, o significado das palavras ficaria comprometido.A ortografia tornou-se uma exigência social a partir do momento que fixou a grafia das palavras, fazendo com que escritor e leitor interpretassem da mesma forma seu significado dentro de um contexto escrito.Muitas vezes, um texto criativo com falhas desperta menos interesse do que outro graficamente impecável, mas sem vida.Segundo Fischer (1997, p.12),No início da alfabetização, os erros gráficos são cometidos ao longo do processo da escrita e, longe de representarem desatenção, letras ‘comidas’, desinteresse da criança, representam uma forma cognitivamente estruturada de pensar o funcionamento da escrita.


Quando o professor mostra para a criança o alfabeto, precisa, além do nome da letra, mostrar seu respectivo som. Será bastante natural que a criança, ao escrever mesa, troque o /s/ pelo /z/, pois é influenciada pelo som, que é de /z/. Mais tarde, caberá ao professor explicar que existe uma ortografia vigente em nosso país segundo a qual a letra /s/ entre duas vogais tem som de /z/, embora, em outros casos, esta mesma regra não seja válida.No início, estes “erros” serão bastante freqüentes e somente com bastante leitura e a mediação do professor serão superados.


Quando o educador apresenta a escrita para as crianças, é natural que as mesmas escrevam do jeito que falam. Em suas produções, aparecem: abakt (abacate), rezolva (resolva), muinto (muito), ptc (peteca) e assim por diante. Todos estes passos são absolutamente normais durante o processo de alfabetização.Das palavras começam a surgir frases; depois, os pequenos textos, sendo fundamental que esses textos sejam trabalhados pelo professor de forma espontânea. Quando falam, as crianças não precisam seguir roteiros nem esquemas: elas simplesmente falam.Cabe ao professor permitir que elas dêem asas a sua imaginação de acordo com as idéias que possuem. Para Cagliari (1999, p. 215), “A marca da individualidade faz de um simples texto um trabalho original, e se seu estilo agradar à comunidade, torna-se um texto literário”.Por meio das produções espontâneas, professor e aluno se envolvem no processo de escrita, refletindo sobre erros e buscando caminhos para contorná-los.È fundamental que o professor tenha objetivos claros ao utilizar tal instrumento, pois, do contrário, pode se ater apenas aos erros e não à produção em si.Para o educador, errar é um horror; o erro acarreta a vergonha, a punição e finalmente a exclusão. Quando era preciso fazer justamente o contrário: aproveitar cada erro para refletir com o aluno e ajudá-lo a encontrar a direção lógica. (FISCHER, 1997, p.12).A criança precisa reler sua produção com o professor e corrigi-la sempre que necessário. Em seguida, escrevê-la novamente, sempre objetivando a comparação entre a escrita anterior e a atual, percebendo com isto os avanços.Errar faz parte da aprendizagem. É por meio do erro que construímos novos saberes, sempre com a perspectiva de melhorar.Apesar de as pessoas utilizarem a mesma língua, falam de maneira diferente conforme sua localização regional. Nosso sistema ortográfico atende a uma exigência social e não se preocupa com a maneira do usuário falar e sim, com as convenções da escrita.A criança, quando chega à escola, tem um falar próprio, trazido da família, que será transformado em escrita. O erro aparecerá, cabendo ao professor a tarefa de não supervalorizar o erro, e sim transformá-lo em acerto por intermédio de estímulos à leitura e de pesquisas a dicionários.O erro sempre tem uma explicação. Tudo que o aluno faz ou, até mesmo, deixa de fazer tem uma razão para ele. Ao professor cabe a tarefa de perguntar para, assim, poder ensinar adequadamente.Cagliari (1999, p.82) comenta queA escola precisa aprender que a ortografia é um fim e não um começo, quando se ensina alguém a escrever. Primeiro, a criança precisa aprender a lidar com a escrita e, depois, preocupar-se em escrever ortograficamente. Isto não significa que vamos deixar as crianças escreverem sempre o que quiserem e como quiserem, porque vale tudo. A escola, como instituição, não pode admitir uma pedagogia do vale-tudo. A escola tem uma missão a cumprir. E faz parte dela o ensinar a escrever e escrever ortograficamente. Uma coisa não precisa destruir a outra. Tudo tem o seu tempo e o seu lugar.Uma criança em fase de alfabetização está aprendendo a lidar com a escrita. Nesse sentido, o professor tem a tarefa de ensiná-la a desconfiar daquilo que escreveu, raciocinar sobre o fato e buscar informações para saber se escreveu certo ou não.Por meio da produção de textos espontâneos, o professor poderá saber o nível em que seus alunos estão, suas maiores dificuldades, os erros mais ou menos freqüentes. Poderá organizar seu planejamento a fim de trabalhar com estas dificuldades aplicando exercícios específicos.A autocorreção deve ser um instrumento utilizado com freqüência. Rever os textos, melhorá-los, mas sem imposições nem cobranças. Ler e reler por prazer. Por meio da leitura, o aluno resolverá a maior parte de suas dificuldades.As crianças não conseguem prontamente escrever tudo de maneira correta, como o professor deseja. Aquela grafia linda, sem erros gráficos, será conseqüência de um trabalho feito em longo prazo.De acordo com Ferreiro (2000, p.21),A escola (como instituição) se converteu em guardiã desse objeto social que é a língua escrita e solicita do sujeito em processo de aprendizagem uma atitude de respeito cego diante desse objeto, que não se propõe como um objeto sobre o qual se pode atuar, mas como um objeto a ser contemplado e reproduzido fielmente, sem modificá-lo.Na fase de alfabetização, deve estar claro para o professor – bem como para as crianças - que a função da língua escrita é a comunicação e o registro das idéias.Ambos devem estar conscientes também em relação ao erro: “Erro de ortografia relaciona-se com as hipóteses que o aluno levanta sobre a escrita, apenas isso” (CAGLIARI, 1999, p.246).O erro gráfico deverá ser visto, portanto, como instrumento de aprendizagem e não como motivo de vergonha, pois é inevitável que um indivíduo cometa erros quando está em processo de aprendizagem. É certo também que estes erros devam ser corrigidos, deixando claro para os alunos que eles devem sempre se aventurar nos conhecimentos que já têm, sabendo, contudo, que nem tudo sairá correto.Os alunos estão apenas começando seus estudos e terão muito tempo para acrescentar conhecimentos novos e sanar dificuldades.Considerações finais
A ortografia deve ser levada bastante a sério. Ao professor caberá a função de deixar que as crianças errem muito e aprendam a buscar soluções, exercendo a função de condutor da aprendizagem, mediando, interagindo, aprendendo.Ninguém nasce sabendo, e a aprendizagem é algo bastante subjetiva. Podemos aprender mais facilmente alguns assuntos que outros, o que não significa que sejamos melhores ou piores. Significa apenas que somos indivíduos diferentes, sendo que esta diferença é que faz da educação algo maravilhoso em que a rotina não tem vez.Vamos, portanto, deixar que as crianças escrevam e que exercitem sua liberdade de registrar idéias como quiserem. As correções podem ficar para mais tarde, sem, contudo, serem esquecidas.As crianças querem ser ouvidas, respeitadas, motivadas a continuar. A valorização da auto-estima, o contato visual, o calor humano também fazem parte de uma educação de qualidade.


8. REFERÊNCIASCAGLIARI, Gladis Massini; CAGLIARI, Luiz Carlos. Diante das Letras: a escrita na alfabetização. São Paulo: Fapesp, 1999 (Coleção Leituras do Brasil)CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o Ba –Bé – Bi – Bó – Bu .1. ed. São Paulo: Scipione, 1999.FERREIRO, Emília. Com todas as letras. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2000.FISCHER, Julianne. Sugestões para o desenvolvimento do trabalho Pedagógico. Timbó: Tipotil, 1997.TAFNER, Malcon Anderson; FISCHER, Julianne. Manga com leite mata: reflexões sobre os paradigmas da educação. Indaial: Ed. Asselvi, 2001.


leilabam@terra.com.br

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Direito de Aprender


ANTES DE COMPLETAR DOIS MESES, NAE JÁ ATENDE 150 CRIANÇAS
Projeto não tem similar na região e mostra resultados expressivos em pouco tempo
28/03/2008
http://gertrudes.nae.zip.net/index.html

Sem outro equivalente em toda a região, como é o caso, também, do Centro de Referência à Mulher Vítima (CREMUV), inaugurado há menos de um mês na cidade, o Núcleo de Atendimento Educacional (NAE), em Santa Gertrudes, contabiliza, hoje, atendimento a 150 crianças. As atividades do núcleo, vinculado à Secretaria Municipal de Educação, foram iniciadas no dia 11 de fevereiro, confirma uma das coordenadoras do serviço, a psicóloga Fernanda Bernardi. Atualmente, explica ela “estamos com oito turmas diárias, quatro no período da manhã e outras quatro à tarde”.

São meninos e meninas que apresentam algum tipo de dificuldade na aprendizagem escolar, que é exatamente o foco das atenções do núcleo.DiagnósticoEncaminhados ao serviço através das escolas da rede municipal de ensino onde estão matriculados, os 150 alunos ainda estão vivenciando uma fase de atividade em grupos, distribuídos em pequenas turmas. O trabalho é realizado por uma psicopedagoga, que vai observando o comportamento de cada criança, sua interação com as outras e estabelecendo, assim, um diagnóstico mais geral da situação. Na próxima etapa, contudo, prevista para começar em meados de abril, o atendimento será individual, envolvendo a atuação de uma psicóloga. Aí sim será possível identificar quais são os problemas que estão interferindo na performance escolar da criança e atuar com toda a equipe do NAE para amenizar ou eliminar essas dificuldades.FamíliaO atendimento, naturalmente, não dispensa a participação efetiva dos pais, que são envolvidos em todo o processo, numa espécie de terapia familiar, já que em boa medida as dificuldades de aprendizado da criança estão diretamente associadas ou decorrem da estrutura encontrada em seus próprios lares.


Claro que há outros fatores que podem interferir na aprendizagem, e a personalidade da criança também é levada em conta neste contexto de análise de caso.A demanda registrada pelo NAE em suas primeiras semanas de atividade chamou a atenção do prefeito Valtimir Ribeirão e do secretário municipal de Educação, Melhem Carlos Simão. “É muito gratificante testemunhar que o núcleo está gerando resultados, beneficiando estudantes, contribuindo para restaurar na criança o interesse pelo estudo e, ao mesmo tempo, ajudando a equilibrar o emocional desses alunos para que venham a ter um rendimento escolar superior, no mesmo nível ou até mais elevado que seus colegas”, disse Valtimir. “Creio que este trabalho funciona porque é realizado em conjunto, com a participação do Poder Público, que disponibiliza o atendimento através de profissionais qualificadas, e da família, que se insere nesta abordagem e se dispõe a fazer seu papel na recuperação da criança para uma vida escolar plena”, acrescentou Melhem.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Produzindo Bons Textos




Para que o educando produza bons textos, é necessário motivá-lo, deixando-o à vontade para que o faça de maneira espontânea. O educador deve valorizar toda a escrita produzida, levando a criança a discutir, mostrando seu ponto de vista.A produção de textos pode ser oral, escrita, utilizando recursos lúdicos como o teatro, os jogos e brincadeiras. Incentivar o educando não é uma tarefa fácil, mas utilizando recursos variados e adequados fica mais fácil de atingir os objetivos.

COMO MOTIVAR SEU ALUNO

☺ Relatos do dia-a-dia;

☺ Notícias da comunidade;

☺ Notícias de jornais e revistas

☺ Acontecimentos importantes;

☺ Gravuras;

☺ Textos principiados;

☺ Textos em rodinhas;

☺ Textos coletivos;

☺ Textos em dupla;

☺ Livros lidos;

☺ Revistas em quadrinhos;

☺ Debates;

☺ Cartas, bilhetes, avisos;

☺ Relatórios;

☺ Músicas;

☺ Poesias;

☺ Trabalho com sucatas, desenhos, pinturas, origamis, maquetes

PONTOS IMPORTANTES A OBSERVAR

☺ Dar sempre um título para o texto;

☺ Colocar o título no meio da linha;

☺ Deixar um espaço entre o título e o texto;

☺ Usar sempre o mesmo espaço dado ao 1º parágrafo;

☺ Travessões são colocados após o espaço do parágrafo;

☺ Evitar rasuras, borrões, manchas, etc;

☺ Cuidar da pontuação, bem como da divisão silábica no final da linha;

☺ Escrever o necessário, sendo objetivo, não escreva demais, nem de menos;

☺ Consultar o dicionário sempre. Ajuda no desenvolvimento do vocabulário.

O QUE AVALIAR NA PRODUÇÃO DE TEXTOS

☺ Título de acordo com o texto;

☺ Vocabulário variado;

☺ Expressões ou palavras interessantes e bem colocadas;

☺ Criatividade na estruturação das frases e emprego do vocabulário;

☺ Apresentação (limpeza, margem, disposição do texto, etc);

☺ Fechamento adequado, curioso ou interessante;

☺ Uma passagem engraçada, alegre, triste, poética;

☺ Novos contextos, situação diferenciada;

☺ Intertextualidade ( personagens de diversas histórias em um mesmo texto);

☺ Descrição de personagens e lugares;

☺ Caracterização de personagens ou de situações.

USO DO DICIONÁRIO

☺ Identificação, no texto, das palavras desconhecidas;

☺ Busca do significado pelo sentido do contexto;

☺ Memorização do alfabeto de A a Z e de Z a A;

☺ Localização da folha certa, por meio de identificação da palavra no alto da página;

☺ Identificar a 2ª, 3ª e 4ª letra na ordem alfabética;

☺ Localização da coluna provável. Observar a ordem alfabética das palavras;

☺ Utilizar o dedo indicador para encontrar a palavra;

☺ Escolha do significado mais adequado ao contexto em que a palavra foi empregada

ATIVIDADES DIVERSAS

☺ Falar o alfabeto de A a Z e de Z a A;

☺ Partir de uma letra e ir até o Z;

☺ Voltar de outra letra até o A;

☺ Dizer as vizinhas de determinada letra;

☺ Listar palavras em ordem alfabética;

☺ Observar a seqüência alfabética das palavras que começam com a mesma letra, analisando a 1ª, 2ª, 3ª, ... letras

ANDREIA FERRÃO -PEDAGOGA-sANTA cATARINA

domingo, 6 de abril de 2008

"A alfabetização nunca termina"-Entrevista

Doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo, Telma Weisz criou o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), lançado em 2001 pelo Ministério da Educação.
Hoje coordena um programa semelhante, o Letra e Vida, na Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.
Nesta entrevista, ela destaca que a alfabetização é um processo contínuo e fala da responsabilidade da escola para combater o analfabetismo funcional.
O que é ser alfabetizado?
Vejo a aquisição do sistema de escrita - popularmente conhecida como alfabetização e que chamamos de alfabetização inicial - como parte de um processo. Mesmo os adultos nunca dominam todos os tipos de texto e estão sempre se alfabetizando. Ser alfabetizado é mais do que fazer junções de letras, como B com A, BA.
Qual a diferença entre alfabetização e letramento?
No passado, era considerado alfabetizado quem sabia fazer barulho com a boca diante de palavras escritas. Só então estudava-se Língua Portuguesa e gramática. Para quem acredita no letramento, a criança primeiro aprende o sistema da escrita e só depois faz uso social da língua. Assim como antes, isso dissocia a aquisição do sistema das práticas sociais de leitura e escrita. Para evitar essa divisão, passamos a usar o termo cultura escrita.
Qual a importância do professor como leitor-modelo?
A leitura é uma prática e para ensinar você precisa aprender com quem faz.
Porém, este é um nó: como formar leitores se você não lê bem? E como ler bem se você saiu de uma escola que não forma leitores?
A solução é de longo prazo e requer programas de educação continuada que tenham um trabalho sistemático nessa área. Nas reuniões do Profa, eram dados três textos ao formador. Ele escolhia um e lia para os professores, que recebiam os três. Ao fim do ano, eles haviam lido 150 textos de vários gêneros.
Como os pais podem colaborar na alfabetização?
Lendo todos os dias para as crianças. Quem passa a primeira infância ouvindo leituras interessantes se apropria da linguagem escrita. Assim, na hora em que lê e escreve de forma autônoma, já sabe o que e como produzir. Isso também possibilita à criança entender os textos que lê.
Por que saem das escolas tantos analfabetos funcionais?
Porque a escola só reconhece como alfabetização a aquisição do sistema. Em vez de investir na competência leitora, concentra-se no ensino de gramática. Por isso há analfabetos funcionais com muitos anos de escolaridade. Formar leitores e gente capaz de escrever é uma tarefa de coordenadores, gestores e professores de todas as séries e disciplinas. Eu diria que leitura e escrita são o conteúdo central da escola e têm a função de incorporar a criança à cultura do grupo em que ela vive. Isso significa dar ao filho do analfabeto oportunidades iguais às do filho do professor universitário.
Como reverter esse quadro?
Lendo, discutindo, trocando idéias, vendo o que cada um entendeu e pesquisando em fontes diversas. É preciso tornar o texto familiar, conhecer suas características e trazer para a sala práticas de leitura do mundo real. Se a função da escola é dar instrumentos para o indivíduo exercer sua cidadania, é preciso ensinar a ler jornal, literatura, textos científicos, de história, geografia, biologia. Consegue ler bem quem teve algum tipo de oportunidade fora da escola. Os que dependem só dela são os analfabetos funcionais.
E a escola faz isso porque não compreende claramente a sua função.

Hora de se conhecer-IDENTIDADE



Atividades com espelhos ajudam as crianças da creche a construir sua identidade e a entender os limites do próprio corpo

Quem sou eu? Como sou? As respostas a essas questões são fundamentais para a construção da personalidade. Cedo a criança começa a se entender como sujeito e adquirir consciência corporal para se desenvolver e se organizar no espaço e saber se posicionar e se diferenciar do outro. Durante o primeiro ano de vida, os pequenos percebem que são seres independentes da mãe. Há uma fase de exploração das mãos e, depois, a fascinação com o próprio reflexo. "Nas primeiras vezes que a criança depara com a própria imagem pode sentir vergonha ou medo, mas rapidamente se habitua", diz Luciene Tognetta, do Laboratório de Psicologia Genética da Universidade Estadual de Campinas.

FAZ-DE-CONTA -
Os pequenos se divertem ao se obeservar com fantasias diversas acessórios inusitados
Beatriz Ferraz, professora da Escola de Educadores, em São Paulo, comenta que essas atividades são uma oportunidade de a criança se enxergar por inteiro e exercitar o uso competente do corpo: "Os educadores que conhecem o desenvolvimento cognitivo e afetivo podem oferecer experiências ricas de diversidade".
Adriana Toledo

USANDO A VOZ COM SABEDORIA


Boas condições, bom desempenho

O espaço da escola afeta tanto o cotidiano dos professores quanto o dos alunos. A precariedade das condições físicas dificulta as aulas, tornando-as desgastantes e reduzindo a produtividade.

Mobiliário inadequado ou classes sem boa ventilação, iluminação ou acústica podem causar ou agravar problemas de saúde, como os osteomusculares ou de voz.

Rejane Cristina dos Santos, da EE Imaculada Conceição, em Pedro Leopoldo, a 46 quilômetros de Belo Horizonte, sofreu em razão das condições inadequadas do ambiente e do mau uso que fazia da voz falava alto e permanecia em contato com pó de giz por tempo demasiado. No ano passado, ficou completamente afônica durante 15 dias.

Passado o susto, ela se valeu da criatividade para voltar à sala de aula: construiu painéis em que escreve com canetão e usa microfone. Iniciativas individuais como a de Rejane são relevantes, mas cabe aos gestores da rede e da escola cuidar da questão.

Há oito anos, Joice Salete Silverio Pires, da EM Marumbi, em Curitiba, começou a acordar sem voz. O problema poderia ter se agravado se a diretora não a tivesse encaminhado ao programa municipal de qualidade vocal. Ela fez um tratamento fonoaudiológico e operou nódulos nas cordas vocais. "Depois disso, a prefeitura disponibilizou um microfone para eu usar em classe", conta Joice. Além de seu bem-estar, garantiu-se, assim, a qualidade do ensino que ela ministra.
Também visando à aprendizagem, o Tocantins está definindo padrões de qualidade do ambiente escolar que incluem conforto acústico, ventilação, temperatura e iluminação adequadas e acessibilidade. "Criamos políticas para reduzir os riscos para alunos e professores, pensando em saúde e Educação de forma articulada", diz Maria Auxiliadora Rezende Seabra, secretária de Educação e Cultura.
Foto: Leo Drumond / Agência Nitro

sábado, 5 de abril de 2008

Para alfabetizar-Planejamento

Para fazer o planejamento da turma de seis anos, alguns livros são indispensáveis, além do de Arnold Gesell, que nos auxilia a entender como são os pequenos e como podemos agir na escola para ajudá-los.


Referenciais para alfabetização
Afinal "a leitura do mundo antecede a da palavra" e a nossa experiência faz muita diferença na hora de ler um texto.
Espero que gostem e que lhes seja útil.
CARVALHO, Marlene. Guia prático do alfabetizador. Série Princípios. Ed. Ática. São Paulo.



OBJETIVOS:
  • Analisar os diversos usos da escrita na vida cotidiana,
  • Descobrir que letras e números são diferentes,
  • Comparar a grande variedade de tipos de letras existentes (cursiva e de imprensa, maiúsculas e minúsculas, etc),
  • Descobrir que mesmo sem saber ler já se sabe alguma coisa de útil sobre a leitura,
  • Provocar o desejo de saber mais.
  • Antes de ensinar a decodificar letras e sons mostrar aos alunos o que se ganha com a leitura por meio de atividades de compreensão de leitura, para que a mesma faça sentido e lhe permita perceber os vários usos sociais da escrita.
    Postado por Meu nome é Erika Araújo Uhlemann Corrêa
http://abcdaproerika.blogspot.com/2008/02/para-alfabetizar-parte-1.html

PARA ALFABETIZAR-6 ANOS

ATIVIDADES COM O NOME
Escreva os nomes dos alunos e as pregue na parede na ordem alfabética.
Compare com os alunos:

  • Quantidade de letras dos nomes, qual tem mais, qual tem menos?

  • Há nomes com poucas e muitas letras,

  • Há nomes que começam, ou acabam com a mesma letra,

  • Os nomes maiores nem sempre são das pessoas mais altas.

  • O nome das pessoas não tem a ver com o tamanho do seu nome,

  • Os nomes podem ser iguais,

  • Podem ter o mesmo número de letras.

NA ESCOLA:

  • Passear pela escola, com o desafio de adivinhar o que está escrito: nome da escola, na fachada; o número do prédio; cartazes; placas das portas; avisos; números, dentre outros.e

  • Deixar a turma pensar o que está escrito em diferentes suportes de texto.

  • Propor problemas para alunos que não se manifestam:

  • O que será que está escrito na frente do ônibus, em uma lata de óleo, etc.

  • Pedir que os alunos tragam de casa: rótulos de vários produtos (alimentos, higiene, produtos de limpeza e remédio)

Buscar com os alunos:

  • Placas de ruas e praças,

  • Letreiros de ônibus e de lojas,

  • Placas de veículos (letras e números),

  • Rótulos de produtos diversos,

  • Frases de pára-choque de caminhão,

  • Cartazes e folhetos de publicidade,

  • Embalagens,· Latas,· Jornais velhos,· Revistas velhas

  • Colocar o material que os alunos trouxerem à vista de todos.Olhar e comparar o que trouxeram.

  • Questionar:Alguém conhece este rótulo, ou produto?O que será que está escrito aqui?Ler para a turma e deixar que troquem os materiais.

Postado por Erika Araújo Uhlemann Corrêa

http://abcdaproerika.blogspot.com/2008/02/para-alfabetizar-parte-4.html

O que muda na Língua Portuguesa

Sabemos que as novas regras da língua portuguesa já estão aí para implementação em 2008.
Segundo a Folha Online, as mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro.
Veja abaixo quais são as mudanças.

HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom".
Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente.
Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"

TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)

ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"

ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"

ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo.
Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem

GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"
2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido", que serão grafadas como no Brasil -"erva" e "úmido"
Publicado por Profª Veneza de Almeida-
Professora de Lingua Portuguesa

EU ME ORGULHO

Proposta: Dinâmica para -Auto-Estima
Contribuições
Refletir sobre a própria identidade/ Apresentar os componentes de um grupo, uns aos outros/ Aquecer o grupo/ quebrar o gelo /desenvolver a auto-estima/abrir-se ao grupo.

Participantes: grupos
Espaço necessário: Qualquer
Duração: de 15 a 30 min. dependendo do tamanho do grupo Ritmo: Calmo
Material necessário-Nenhum

Descrição da Dinâmica
O grupo senta-se em roda e decide de alguma forma quem vai começar a falar. Um tema é escolhido pelo grupo e a pessoa escolhida começa a rodada iniciando uma sentença da seguinte forma:
"Eu me orgulho de ..... (completa a sentença a partir do tema da rodada)

Temas sugeridos para os participantes completarem a frase:
  • .Alguma coisa que tenham feito para os pais

  • .Alguma coisa que tenham feito para algum amigo

  • .Alguma coisa que tenham feito para si mesmo

  • .Alguma coisa que tenham feito em geral

  • .Algo que se orgulham de ser

  • .Como aproveitam o tempo livre

  • .Algum hábito que tenham

  • .Alguma coisa que tentam com muito afinco

  • .Alguma coisa em que acreditam

  • .Uma nova habilidade que tenham desenvolvido ou estão tentando desenvolver

  • .A melhor coisa que tenham feito a semana anterior.....
Depois de cada pessoa que completa a frase o grupo pode ou não fazer comentários.

Isto pode ser decidido antes de se iniciar cada rodada.

Terminada uma rodada em que todos falam sobre tema da vez, um novo tema é escolhido e uma nova rodada é iniciada.

Fonte: BRANDES, Donna " Gamesters' handbook 2 " - Stanley Thornes Publishers -Grã Bretanha.

HISTÓRIA CONTADA:





Contar histórias é uma atividade de grande valor educativo.
Através do conto, a criança desenvolve a imaginação, enriquece seus conhecimentos, constrói idéias e vive momentos de grande magia.
Para este momento, procure um ambiente arejado, silencioso. Procure ao contar histórias soltar a imaginação, com expressões fisionômicas, gestos e falas.

ALGUMAS DICAS:
1- Apresente o livro: Explore a capa, o título, o autor, o desenhista, etc.
2- Você pode contar a história sem ler usando suas próprias palavras.
3- Deixe que a criança participe da história.
4- Durante a história faça perguntas para que a criança participe e viva bem esse momento.
5- Se possível, conte a história mostrando fantoches feitos de sucatas (personagens da história).
6- Ofereça aos alunos condições para que criem o cenário da história, utilizando diversos materiais como galhos secos, papel, retalhos, etc.
7- Permita que as crianças dramatizem a história.

(Alfabetização sem segredos)

Postado por Silvia -Pedagoga de S.J. Rio Preto

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Aprendizagem: Dificuldades




O objetivo deste trabalho é entender como a Epistemologia Genética Piagetiana pode contribuir para a compreensão das principais causas da não aprendizagem, bem como das mais freqüentes dificuldades que podem aparecer em um aprendente.

Dentre estas dificuldades podemos ressaltar a questão do ensino insuficiente, por vários motivos, de acordo com as necessidades de cada aprendente; bem como, avaliar se a metodologia comumente aplicada ao ensino está compatível ao que se espera de um ensinante.

Como ponto de apoio, teremos algumas conceitualizações sobre as contribuições da Psicanálise para o estudo das causas da não aprendizagem, uma vez que esta é uma ciência que permite compreender a subjetividade, por excelência, do ser humano.

Não podemos deixar de mencionar o papel que o erro, do ponto de vista construtivista, tem neste processo de ensinar-aprender.

Quais seriam as diferenças entre Aprendizagem e Desenvolvimento?

Aprendizagem: Conhecimento adquirido e internalizado; Mais da ordem do social; Fruto da interação do sujeito com o meio; Adquirido e socializado; Desenvolvimento intelectual depende do potencial do indivíduo; Acontece de acordo com uma ação espontânea ou estimulada.

Desenvolvimento: Processo em que o indivíduo constrói seu conhecimento; Construção e desenvolvimento das estruturas internas; Formação das estruturas; Processo natural dentro das possibilidades e limites do indivíduo; Independente do aprendizado formal; Natural, intuitivo; Desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo, moral etc.

Para Piaget, aprendizagem está relacionada com a experiência e pode ser compreendida em dois sentidos:

- strictu sensu – sentido restrito, em função da experiência, ao tentar realizar alguma coisa.

- lato sensu – sentido amplo – se confunde com o desenvolvimento, é o sentido restrito mais o processo de equilibração; só a experiência

não basta. Está relacionado com a construção das estruturas.
Ao falar de desenvolvimento, devemos ter sempre em conta seus fatores para Piaget :

1) maturação – tempo que transcorre enquanto o organismo vai adquirindo condições para construir determinadas estruturas;

2) experiência – agir sobre o meio, experimentar, tentar transformar o meio. Neste aspecto podemos explicar os conceitos de experiência física (agir sobre os objetos - cor, textura, forma, reação ...) e experiência lógico-matemática (das ações e da coordenação – bola de madeira sobe menos que a de plástico quando jogada para cima ...);

3) social – divididas em interações sociais (com os pares ou com adultos) e transmissão social (escolar, familiar etc.);

4) equilibração – fator que coordena todos os demais.

A aprendizagem está relacionada com o conteúdo que a ação envolve.

Como a escola tem lidado com as questões das aprendizagens e do desenvolvimento?

• Ponto de vista do adulto é transmitido sem que haja preocupação com a compreensão pelo aluno;

• A apresentação desta visão acabada não dá oportunidade para que o aluno desenvolva sua autonomia;

• A escola acredita que cumpre sua missão apenas transmitindo conhecimentos para o aluno memorizar; porém o ensino assim realizado foge da realidade da vida do aluno.

• A criança deve ser desafiada, deve ser estimulada a levantar idéias e hipóteses sobre aquilo que se pretende que ela aprenda.

• O professor deve procurar conhecer seus próprios limites e tentar superá-los.

Algumas causas das Dificuldades para Aprender:

Da criança: atraso geral no desenvolvimento; estruturas de conjunto (criança que até passa de ano, mas é por mecanização); atraso no desenvolvimento de uma estrutura ou na construção do real (tempo, espaço, causalidade, linguagem).

Circunstancial: Familiar; Escolar; Social; Falta de solicitação.

Classificação das crianças com Dificuldade de Aprendizagem, por grupos:(Segundo Ramozzi-Chiarottino)

Grupo A: são as crianças mais comprometidas, desconhecem: regularidades da natureza, não possuem noção de tempo, espaço e causalidade, não agem sobre o meio e sobre os objetos, não conhecem os limites de suas ações.

Como conseqüência, estas crianças possuem uma representação de mundo caótica, retardo na aquisição da linguagem, impedimento na comunicação por problemas com a aquisição da língua materna.

Para superar as dificuldades destas crianças, seriam necessárias atividades que propiciem a construção e a coordenação de seus esquemas motores; interações com o meio; compreensão das ações; compreensão das propriedades dos objetos e percepção das regularidades da natureza.

Grupo B: crianças capazes de falar, representar e operar, mas não organizam o real, não percebem a diferença entre o real e o fantástico. Intervir com estas crianças significaria propiciar interações com o meio, experimentá-lo, agir sobre ele, relatar o que foi visto e feito, vivenciado.

Grupo C: a criança é restrita ao presente, não chega a identidade por falta de organização, não estabelece classes e séries, para a criança passar deste nível, ruma à compreensão, é necessário estruturar o real, organizar, buscar explicações para o mundo físico.

Grupo D: são as crianças que ainda não construíram as estruturas mentais esperadas nas idades em que estão. Apresentam dificuldades com relação ao real, ou seja, não se localizam no tempo e no espaço e não estabelecem relações entre causa e efeito. Vivem fora da realidade. São crianças que não apresentam distúrbios físicos ou mentais mas que apresentam dificuldades em aprender.

Aqui se pode fazer um interessante paralelo com os erros, uma vez que estes são os mais aparentes “sintomas” do não aprender.

Para Vinh-Bang, que trabalhou com os erros, as insuficiências nas produções escolares das crianças devem ser analisadas como possibilidades de se avaliar o trabalho a ser realizado, focando-o de acordo com as necessidades da criança.

Segundo este autor, os erros, e sua devida intervenção, podem ser:

Individuais: Conteúdo específico-Deve-se verificar o conteúdo.
Vários conteúdos: Deve-se verificar as estruturas ou o professor.

Coletivos: Conteúdo específico-Deve-se verificar o professor da disciplina.
Vários conteúdos: Deve-se verificar a metodologia e a forma de trabalhar.

IMPORTANTE:

No que diz respeito ao psicopedagogo, é necessário o desempenho de um papel ativo, uma tomada de posição que se baseie na “intervenção”, na detecção e na remediação do problema.

A natureza e a origem das insuficiências devem ser determinadas, coisas que geralmente escapam do professor. Esta intervenção, com base na epistemologia genética piagetiana, pressupõe assegurar o funcionamento dos instrumentos cognitivos que favorecem uma estruturação operatória e reestruturar os conhecimentos lacunares.

CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE para o estudo das Dificuldades de Aprendizagem

Duas interessantes idéias expostas nesta parte dos estudos, podem ser bem pertinentes para a abertura deste aspecto psicanalítico:

- Falar do sujeito numa perspectiva analítica, é falar no sujeito do INCONSCIENTE.

- Possuir uma deficiência é diferente de ser deficiente.

Normalmente, as crianças com dificuldades de aprendizagem são consideradas casos patológicos; porém, não é necessário ter uma patologia para ter problemas de aprendizagem. Sabemos, de acordo com a psicanálise, que a não aprendizagem, pode ser considerada um sintoma e, um sintoma, é a parte visível de um problema interno, que não é, necessariamente, uma patologia.

Segundo Piaget, neste processo de correlação entre o Fazer , o Compreender e a Tomada de Consciência, a inteligência dá a engrenagem, a afetividade dá o combustível, é a energética.

Assim, para a psicanálise:

- SABER – é da ordem do inconsciente;

- CONHECER – é da ordem cognitiva.

Dentro dos estudos para a realização deste trabalho, nos deparamos com diversos textos que se referiam a um famoso acontecimento do começo do século XIX: as desventuras do Dr. Jean Itard, no processo em que tentou, sem sucesso, educar Víctor, uma criança encontrada em estado selvagem, nos bosques de Aveyron, na França.

Entendamos, primeiramente, que esta tentativa de educação, foi baseada em trabalhos anteriores do Dr. Itard, famoso por ensinar surdos a falar. O racionalismo-empirismo, e as idéias centradas em causa-efeito, eram os pensamentos que modelavam a sociedade em que este fato do Selvagem de Aveyron aconteceu.

Tamanho foi o insucesso deste ocorrido, que Leandro de Lajonquière subintitulou um de seus textos como: “ou do que não deve ser feito na educação das crianças”. Como já foi dito, Itard não obteve sucesso em seu empenho, não conseguiu educar Víctor segundo os moldes que considerava ideais.

Deste fato, podemos extrair como reflexão para os nossos dias , a antipedagogia que vem sendo praticada nas escolas, cujos responsáveis pela educação tentam, inutilmente, fundir em uma só, as diversas pessoas e personalidades existentes em sua sala de aula. Seria, mais ou menos, como se cada aluno fosse um Víctor, que veio de um mundo próprio, específico, com seus desejos, suas vontades, seu modo de ver e sentir as coisas externas, suas necessidades, sua cultura etc.

Antes de continuarmos, um esclarecimento sobre os objetos de estudo da psicanálise e da psicologia genética:
PSICANÁLISE: O sujeito; O inconsciente; A verdade.

PSICOLOGIA GENÉTICA: O desenvolvimento da inteligência;Como o ser humano conhece.

A psicanálise vê as dificuldades de aprendizagem como sintoma.

O objetivo de um trabalho psicopedagógico, na perspectiva analítica, é resgatar a subjetividade, articulando a ordem do conhecimento e a ordem do saber, para que a pulsão de saber possa fluir.

Cabe ressaltar aqui que, retomando o que já foi dito anteriormente, pensar o sujeito na perspectiva psicanalítica, é pensar no sujeito do inconsciente, subjetivo; porém, a definição piagetiana de sujeito, refere-se ao sujeito epistêmico, universal, não subjetivo.

Idéias básicas para compreender as dificuldades para aprender: Questão do erro:
- É necessário que o educador tome uma posição diante do erro e, da postura que têm em relação a eles: Punição

Complacência

Problematização

Reconheceremos, na postura que o educador adotar, as 3 teorias psicológicas existentes na educação; se opta que o erro deve ser entendido como um fato inaceitável e necessário de ser punido, temos o empirismo-associacionismo, se o educador considerar que o erro é fruto de um acontecimento natural, que será corrigido pelo passar do tempo, temos o romantismo; se tivermos um educar com uma concepção problematizada do erro, temos o construtivismo, onde o erro não é tratado como uma questão simplesmente reduzida ao resultado da operação (se acertou os se errou), mas sim, de invenção e de descoberta.

A utilidade de estabelecermos uma teoria psicológica para o entendimento dos erros, está no fato de que, numa perspectiva psicopedagógica ou construtivista, o erro, na visão da criança, faz parte de um processo, é possível e necessário; ao passo que, numa visão pré-formista e tradicional, do ponto de vista do adulto, o erro é o contrário do acerto (aquilo que é considerado bom e verdadeiro) e, por isso, deve ser eliminado e não deixar vestígios de sua existência.

Lino de Macedo faz uma metáfora em seu texto, utilizando o termo borracha: para o adulto, as borrachas existem e são consideradas muito eficientes para a correção dos erros; no entanto, na vida não existem borrachas , a autocorreção é importante para nos dar a oportunidade de entender o que ainda não está certo.

Interessante também é o que é dito em relação às falhas da escola, onde sempre há um culpado, alguém, ou alguma coisa sobre a qual recaiam as responsabilidades.

Nosso sistema escolar está maculado por uma preocupação intensa com os resultados obtidos na escola. Por esse motivo, conscientizar que o erro deve ser avaliado como parte de um processo muito maior torna-se difícil; principalmente quando vemos, rotineiramente, nas escolas, um uso “terminal” da avaliação , que só enxerga o produto final.

Como a criança não tem consciência do próprio erro, é função do educador provocar a tomada de consciência, fazer a problematização.

CARACTERIZAÇÃO DO ERROS:

Sistemáticos (quando são/estão nas estruturas)

Funcionais (quando são da ordem do fazer)

A questão do erro enquanto observável, refere-se ao fato de tornar o erro observável para a criança. Isso pode ser entendido pela divisão que o próprio Piaget fez das respostas recebidas em suas prova operatórias (Conforme Macedo p. 71-73):

Nível I – justaposição; aqui não há erro, porque ele é recalcado pela criança, ela sabe apenas no nível do fazer, mas não compreende o real significado, não pensa na resposta que está dando.

Nível II – flutuação das respostas; aqui, a criança muda de convicção dependendo do contexto em que a questão foi inserida; é o caso, por exemplo, de dizer para a criança que um menininho da idade dela disse, outro dia, que a salsicha tem mais massa que a bolinha. A criança, que antes poderia ter dito o contrário, pode mudar de opinião.

Nível III – compreensão do problema; é a explicação lógica. Os erros não deixam de acontecer, é a forma de lidar com eles que muda, tornam-se internos do sujeito. É o caso, por exemplo de escrever uma frase com sentido duvidoso e, antes de expô-la para o grupo, reescrevê-la.

Esperamos que este estudo tenha sido útil, não para o fechamento ou para a conclusão de idéias, mas sim, para a abertura de novos paradigmas pessoais. Somente o estudo e a reflexão sobre a educação e suas vicissitudes pode levar a nós, educadores, a uma “tomada de consciência”.

BIBLIOGRAFIA:

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Dolle, J. M. & Bellano, D. (1995). Essas crianças que não aprendem. Petrópolis: Vozes.

Dolto, Françoise (1980). Prefácio. In: Mannoni, M. (1988). A Primeira entrevista em Psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

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Macedo, L. (1994). Ensaios Construtivistas. São Paulo: Casa do Psicólogo.

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_______. (1987). Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense.

Ramozzi-Chiarottino, Z. (1984). Em busca do sentido da obra de Jean Piaget. São Paulo: Ática.

Vinh-Bang.(1986). A Intervenção Psicopedagógica. (C. C. Scriptori e L. L. Zaia, trad.). In Archives de Psychologie. Vol. 58, n.º 225, pp. 123-135, Genève: Editions Mèdicine et Hygiènne.

Zaia. L. L. (1997). A interação entre pares na intervenção psicopedagógica. Anais do XVI Encontro Nacional de Professores do PROEPRE. (pp.148-158). Campinas: LPG/FE/UNICAMP.

Zaia, L. L. (2000). Algumas contribuições da Psicologia Genética à compreensão e superação das dificuldades para aprender.

Psicopedagogia On Line – disponível em: – acesso em: 19/09/01.

Fernando César Fante - Professor de História da Rede Escolar SESI – SP - Pós Graduando em Psicopedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo – SP