quarta-feira, 14 de maio de 2008

DISORTOGRAFIA

As propostas e métodos de alfabetização têm como proposto que a criança começa realmente a aprender alguma coisa sobre a escrita baseada na oralidade que correlaciona sons e letras.

O domínio da escrita correta parece ser o ponto central da alfabetização. Sons devem ser associado a símbolo gráficos e o modo de pronúncia correta é referência para a escrita das palavras.

A escola não consegue conceber o erro como algo inerente ao processo de aprendizagem. Este é um problema muito sério que tem sido abordado sistematicamente que procuram dar uma interpretação as alterações ou dificuldades ortográficas.

O erro, por sua vez, pode ser interpretado como indício de dificuldades centradas na própria criança que por algum motivo em geral pode ser considerado como patológico, por não associar ou fixar adequadamente a forma de escrever que lhe é apresentada.

Muitas patologias podem estar sendo artificialmente criadas a partir da visão de erro, quando:
Þ Estimula a fala errada.
Þ Precisa de duas ou mais respostas como reforço, ou seja parece que não escutou.
Þ História de otite de repetição.
Þ Presença da via aérea com obstrução...

Em geral os distúrbios, tendem a ser interpretados como alterações do processo perceptivo visual, quando envolvem as chamadas “ trocas pedagógicas” (s, ss, ç, j, g, ch, x) ou como falhas do processo perceptivo auditivo, quando dizem respeito às chamadas “trocas auditivas” (f, v, p, b, t, d, k, g).
A escrita pode ser vista como uma representação simbólica, correspondendo à aquisição de uma nova língua dada a complexidade de tal sistema de representação que ocorre como um processo de apropriação gradual pela criança. Isto quer dizer que constróem conhecimentos e transformam a língua escrita em um objeto de conhecimento. Assim entendemos o erro como um forma de apropriação.

As relações entre escrita e oralidade podem ser discutidas de um ponto de vista da oralidade para escrita ou vice-versa, que nos revelam como a oralidade sendo a primeira língua (fala – 1). Portanto em suas fases iniciais a escrita sofre grande influência da oralidade. Porém na medida em que a escrita vai se tornando mais independente da oralidade e adquirindo as características formais que a definem como modelo da língua padrão “escrita nível 2” pode produzir transformações na própria oralidade que assim atingira outro nível “fala 2” que também pode ocorrer no processo inverso.

Na medida em que fatos dessa natureza começam a ser considerados, o erro, até então tido como algo que indicava problemas de aprendizado por parte da criança, pode ser visto como algo inerente ao processo de transformação de um sistema oral para um sistema escrito de linguagem

No entanto também temos observados que certos tipos de erros podem ser acentuados ou mesmo induzidos por métodos de alfabetização. Essa tendência tem permitido considerar como compreensível, por exemplo, uma criança comete um “engano” quando lida com letras como r, c, ou g – porque podem ter mais de um som, também quando decide a forma de representar um som que pode ser escrito por várias letras como o s.

Além do mais a escrita apresenta várias propriedades lingüísticas espaciais e temporais, que caracterizam sua natureza alfabética, como:
Ø Variações no modo de pronunciar as palavras e a maneira de escreve-las.
Ø A relação entre letras e sons, um som pode representar uma letras, mas uma letra pode representar vários sons.
Ø A correlação gráfica entre letras e sons, cada palavra escreve com um certo número de letras, que nem sempre corresponde ao número de fonemas que a compõem.
Ø A posição de cada letra no espaço gráfico e a direção da escrita é organizada na relação espacial e temporal entre si, sucedendo uma organização no sentido esquerda para direita horizontalmente e compondo-se de cima para baixo.
Ø A seqüencialização que define pela ocorrência de pausas, separações, sinais gráficos que caracterizam a escrita.

Atualmente consideramos que os erros ortográficos produzidos pelas crianças, revelam uma forma não convencional da escrita, e que seja correspondente ao processo de construção de conhecimentos e apropriação da escrita.

Não devemos confundir a convenção com simples regras de ortografia que determinam o certo e o errado. A convenção deve ser entendida como resultado de um trabalho conjunto.

A questão da aprendizagem da escrita não se reduza ao domínio ortográfico, sabemos da importância que existe na compreensão ou na apreensão deste aspecto ligado a natureza alfabética da língua e que deve ser melhor entendido e pesquisado para compreender melhor o processo da aprendizagem para melhor definirmos os termos de normalidade ou patológicos no desenvolvimento da escrita e não super valorizamos a questão das notas para poder passar de ano.

PAULO C. GOULART
CRFa. 1.107
Icaraí – NITERÓI
E. Mail. paulocesarfono@aol.com