quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

ALIMENTANDO O INTERESSE NATURAL DA CRIANÇA PELO APRENDIZADO



por Jan Hunt, Psicóloga diretora do "The Natural Child Project"


Eu e meu marido escolarizamos nosso filho em casa (1) e eu às vezes me pergunto se quem aprende mais com isso são os pais ou os filhos. Mas o termo "escolarizar em casa" já mostrou ser enganoso. Crianças escolarizadas em casa não passam a maior parte do tempo em casa e seu aprendizado não ocorre do mesmo modo que na escola. Na verdade muitos dos pressupostos do ensino da escola pública são opostos aos da escolarização em casa.
O elemento mais importante para o sucesso da escolarização domiciliar é a confiança. Confiamos que as crianças saibam quando estarão prontas para aprender aquilo que estiverem interessadas em aprender. Confiamos que elas saibam como empreender esse estudo. Embora esse modo de ver as crianças possa causar estranhamento, os pais costumam entender assim o aprendizado nos dois primeiros anos de vida, quando a criança ainda está aprendendo a ficar em pé, andar, falar e fazer algumas outras coisas importantes e difíceis, sem muita ajuda de ninguém.
Ninguém perde tempo pensando que talvez o bebê seja muito preguiçoso, indisciplinado ou desmotivado para aprender; supõe-se que o bebê tenha nascido com vontade de aprender tudo o que ele precisa para conhecer e participar do mundo ao seu redor. Essas autoridades de um a dois anos de idade nos ensinam vários princípios da aprendizagem:
Crianças são naturalmente curiosas e têm um desejo inato de aprender sozinhas sobre o mundo a sua volta.
John Holt, em seu livro 'How Children Learn' ('Como as Crianças Aprendem'), descreve o estilo natural de aprendizagem das crianças pequenas:
"A criança é curiosa. Ela quer compreender as coisas, descobrir seu funcionamento, desenvolver habilidades e obter controle sobre si mesma e seu ambiente, além de fazer tudo o que ela vê os outros fazerem. Ela é aberta, perceptiva e empírica. Ela não se limita a observar. Ela não se fecha para o mundo estranho e complicado à sua volta, ela o degusta, toca, ergue, dobra, quebra. Para descobrir como a realidade atua, a criança atua sobre a realidade. Ela é audaciosa. Ela não tem medo de errar. E ela é paciente. Ela pode tolerar um grau incrível de dúvida, confusão, ignorância e suspense... A escola não é um lugar que ofereça muito tempo, oportunidade ou recompensa por esse modo de pensar e de aprender da criança"(2).