terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Um jeito gostoso de iniciar o ano...


ACOLHIMENTO

O retorno das crianças ou a entrada de crianças novas no início de um ano novo costuma ser tumultuado, tanto para as crianças como para os pais e professores. É sempre necessário certo esforço de adaptação às mudanças, seja das crianças que mudam de turma, seja das que começam a participar da vida da escola. Se o professor não se prepara para esse período e não planeja atividades que facilitem a adaptação de todos, acabará perdendo com muito choro, agitação e maior tensão, tanto dele quanto dos pais das crianças. Por isso, muitas escolas incluem no planejamento do início do ano a organização de um ambiente acolhedor. Em caso de crianças novas, essas escolas até recebem um dos pais ou membro da família da criança para permanecer com ela e acompanhar suas atividades nos primeiros dias, até ela estabelecer um vínculo com o professor.As atividades de início de ano devem ser planejadas para que propiciem atingir uma série de objetivos, tais como:Propiciar às crianças explorarem os espaços e objetos – é interessante que sempre haja algo de novo na escola, como a reorganização dos móveis e da decoração, bem como a presença de alguns brinquedos novos. Essas novidades estimulam as crianças. Então, o professor pode passar os primeiros dias visitando os diferentes espaços e explorando as novidades junto com as crianças. Propiciar às crianças se conhecerem, reverem a si e aos demais adultos da escola – nessas visitas é interessante o professor prever o tempo necessário para que as crianças de seu grupo interajam entre si, com crianças de outros grupos e com os adultos que vão encontrando pelo caminho. Se seu grupo é composto de crianças com idade acima de 3 anos, ele pode antes preparar, junto com as crianças, algumas perguntas interessantes para fazerem aos demais funcionários da escola ou para os pais de outras crianças que possam estar presentes nos locais que forem visitar. Criar condições para que se estabeleçam vínculos afetivos entre o professor e cada criança e entre as próprias crianças – sabemos o quanto são importantes esses vínculos para que a criança se sinta segura no ambiente e se solte para brincar. Por isso, o professor precisa estar especialmente atento para dedicar uma atenção individual a cada criança. Para isso, ele pode aproveitar todas as oportunidades que surgirem nas diferentes atividades que propuser, até mesmo nos momentos de refeição e higiene. Sabendo que, em função disso, cada atividade pode ser mais demorada do que de costume, é bom que não planeje muita coisa para fazer com as crianças num só dia.Ajudar as crianças a se apropriarem da organização do tempo, da seqüência das atividades que são desenvolvidas no decorrer do período em que ela permanecer na escola – particularmente para as crianças menores de 3 anos, entender essa organização é uma tarefa difícil! Mas, quanto mais rápido ela conseguir se localizar no tempo e no espaço, menos ameaçador este fica para ela e mais colaboradora ela se torna com o professor. Esta ajuda pode se dar de diferentes formas, a depender da idade das crianças, mas a mais eficaz é a fala do professor. Ele vai ensinando para as crianças o lugar das coisas, informando antecipadamente a elas o que vão fazer a seguir, dando o tempo necessário para que encerrem o que estão fazendo e repete em muitas situações do dia as atividades que já fizeram e quais ainda farão. Durante os primeiros dias podem ocorrer muito mais imprevistos do que de costume, exigindo muito da versatilidade do professor para alterar seus planos conforme as necessidades que observa surgirem por parte das crianças. Essa flexibilidade é fundamental, pois o mais importante é que elas estão se reconhecendo entre si e na relação com os adultos e aprendendo como agir no ambiente. Ou seja, elas estão desenvolvendo sua forma de se posicionar e sua identidade em relação às novas situações que se apresentam. A constituição da identidade individual e de grupo, tão necessária ao desenvolvimento e à aprendizagem, é algo que a criança pequena está começando a desenvolver e o professor pode ajudá-la muito nessa empreitada.A partir de dois ou três anos de idade a criança sabe seu nome, o nome de alguns colegas, de seus pais, do professor, da escola... E começa a desenvolver algum sentimento de pertença a um grupo.Sabendo disso, o professor pode planejar uma seqüência de atividades que lhe permitam, junto com as crianças, construir uma identidade para o grupo por meio da escolha de um nome para ele. Em vez de estabelecer o nome do grupo com Maternal ou Jardim, que é muito impessoal e de pouco significado para as crianças, ele pode levar o grupo a escolher seu próprio nome.Estabelecendo um momento diário para tratar sobre esse assunto com as crianças, ele pode:No primeiro dia propor brincadeiras com os nomes das crianças, de forma que elas os repitam muitas vezes e os associem a coisas de que gostam. No segundo, apresentar a questão de que precisam escolher um nome para o grupo, permitindo que elas dêem suas sugestões e recuperando, sempre que possível, as coisas de que falaram no dia anterior. Em seguida, organizar com as crianças uma lista onde constem as alternativas de nome levantadas. Nos dias seguintes, tantos quantos forem as alternativas de nome, cada alternativa é explorada, por meio de uma investigação sobre o significado de cada possível nome. Isso pode ser feito por meio de livros, internet, visitas, brincando com objetos e sempre encerrando-se esse momento com a proposta de que as crianças registrem o que conheceram a respeito de determinado nome. Paralelamente, o professor organiza formas de divulgar às famílias o que está se passando, fixando cartazes e as produções das crianças em locais visíveis, já combinando com eles e preparando um evento especial: o dia de eleição do nome da turma. Nos dias que se seguem, o professor prepara as cédulas e uma urna com as crianças, à medida que lhes explica o que é uma eleição e combina com elas algumas regras para que ela ocorra. Muitos conflitos positivos podem surgir entre as crianças, que se envolvem e torcem para que ganhe o nome que cada uma escolheu. Esses conflitos serão ricas oportunidades para o professor trabalhar com elas seus temores e dificuldades com perdas, fortalecendo-as para a convivência em grupo.Chegado o grande dia, que pode ter um pequeno lanche para ser oferecido aos pais que chegam para votar, há que se cumprir também o ritual do mesário e das assinaturas de presença antes de votar! Este mesário pode ser um familiar de alguma das crianças que esteja disponível nesse dia, que controlará os votos das crianças e dos adultos, fazendo a apuração no final do dia.Junto com as crianças, no dia seguinte, é feita uma comemoração – qualquer coisa especial, ou diferente da rotina, como um piquenique, por exemplo – para celebrar o fato de que o grupo passa a ter um nome pelo qual será chamado. Uma seqüência de atividades desse tipo pode durar entre duas semanas e um mês. É o período em que as adaptações se acomodam e as pessoas – crianças e adultos – se organizam para acompanhar a vida escolar que transcorrerá no ano. Como você viu, professor, ela também já insere conteúdos essenciais para o desenvolvimento das crianças, tais como a constituição da identidade e a aprendizagem de formas de se relacionar nesse universo coletivo.Se você gostou da idéia, planeje o mesmo para o seu grupo e bom trabalho!FONTE: Revista Criar / Artigos