segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O QUE É O PAC E OS SINTOMAS

O que é desordem do Processamento Auditivo Central- PAC?
O PAC alterado ou a desordem do Processamento Auditivo Central não significa falta de audição ou problemas nela e sim uma determinada dificuldade em processar e interpretar o estímulo auditivo que foi detectado pelo ouvido. Portanto quando se lê um exame que nele vem escrito inabilidade auditiva de grau leve, moderado ou severo, não significa falta de audição e sim DPAC e que normalmente vem junto com um Déficit de Atenção. Alguns sinais e os sintomas: O Déficit no Processamento Auditivo Central quando detectado precocemente, permite a adequada orientação aos pais e facilitam a conduta de professores no processo de aprendizado. Deste modo, reforça – se a participação do fonoaudiólogo junto a equipe profissional que atua nas escolas. Os sintomas de DPA podem variar e ter diferentes formas de manifestação. Confira se você ou alguém que conheça apresenta alguns desses Sinais e Sintomas: - Parece não ouvir bem? - É muito distraída ou desatenta? - Demora em escutar e/ ou entender quando chamada sua atenção? - Fala muito “Hã?”, “O que?”, ou “Não entendi!”? - Possui dificuldade para lembrar o que foi dito ou parece ter problemas de memória? - Tem fala diferente de outras crianças da mesma idade? - Tem dificuldades para ler ou escrever ou outras dificuldades escolares? - Tem dificuldade para entender o que está sendo falado quando em ambientes ruidosos ou em grupos ? - Não consegue acompanhar uma conversa com muitas pessoas falando ao mesmo tempo ? - Há cansaço ou atenção curta para sons em geral? - Deixa o volume da televisão muito alto? - Apresenta dificuldade de localizar o som? - Apresenta dificuldades em seguir orientações? - Tem dificuldade em contar um fato ou história? - Tem dificuldades para transmitir um recado - Possui dificuldade em seguir uma sequência de tarefas que lhe foi falada? - Tem dificuldades em entender piadas ou duplo sentido? - Os problemas de matemática são difíceis de interpretar? Estes, assim como outros comportamentos, podem ser sinais de uma dificuldade no processamento auditivo da informação. Cabe retomar que muitos dos comportamentos notados acima podem também aparecer em outras condições tais como dificuldades de aprendizagem, Transtorno do déficit de atenção e Hiperatividade (TDAH), níveis de depressão, dentre outros. Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação. Debora Dahan por Debora Dahan Fonoaudiloga Débora Dahan, especialista em Linguagem e Educação Especial, trabalhando na parte clnica ha 13 anos e sou docente na pratica da Analise Computadorizada da Voz

PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL NA ESCOLA- P.A.C.

Devido às dificuldades de se processar as informações adquiridas pelas vias auditivas, o aluno com DPAC poderá enfrentar grandes obstáculos no modelo de ensino tradicional brasileiro, em que as aulas são ministradas oralmente pelo professor. Adiciona-se a essa questão o desconhecimento do DPAC pelas escolas e seus profissionais, o que acaba dificultando ainda mais as vivências do aluno nesse ambiente, podendo gerar desde baixa autoestima até dificuldades na socialização. “Na escola é muito complicado, pois os professores não estão habituados a lidar com o distúrbio do processamento auditivo, e nem o conhecem. É grande a importância de um trabalho multidisciplinar que integre a família, a escola, os professores, os profissionais fonoaudiólogos e psicopedagogos para apoiarem o aluno com DPAC, oferecendo alternativas de absorção dos conteúdos e estimulando o aprendizado dessas crianças. A mãe Sônia Freitas conta sobre as estratégias usadas. “As recomendações são: colocar o aluno nas primeiras carteiras, longe de distrações, quando falar, olhar diretamente para o rosto do aluno e próximo a ele, certificar se ele realmente entendeu os comandos e o que deve ser realizado, se possível, dar mais tempo para a realização da avaliação e, se necessário, fazer a leitura da prova para ele. São várias estratégias que se pode ter de acordo com a necessidade. Mas a escola só segue as recomendações porque eu estou quase todos os dias lá e fico no pé de todo mundo”.
Tratamentos alternativos e orientações aos professores Além do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, outra opção para auxiliar a criança com DPAC é o uso do Sistema de Frequência Modulada (FM) na escola, pois este equipamento também pode ser utilizado em indivíduos sem perda auditiva periférica. O FM amplificará a voz do professor, fazendo com que a criança volte sua atenção mais facilmente para o que este explica em sala de aula. E se, além do DPAC, o diagnóstico também apontar perda auditiva condutiva ou neurossensorial, a criança deverá usar AASI (Aparelhos de Amplificação Sonora Individual) ou Implante Coclear, dependendo do grau de sua perda. Comerlatto explica a importância de uma estimulação auditiva precoce para se prevenir o DPAC. “O DPAC pode vir a ocorrer de forma secundária à outra alteração, como por exemplo, a perda auditiva, tanto em crianças, adultos e idosos. O nosso sistema auditivo é plástico, ou seja, ele se modifica de acordo com seu uso. Esta plasticidade pode ocorrer de forma “positiva”, como são os casos dos treinamentos, mas também ela pode ocorrer de forma “negativa” referindo-se a perda da capacidade de desempenhar determinada tarefa por algum motivo. Por exemplo, se uma criança vier a ter uma perda auditiva permanente e não for realizado um processo de reabilitação com o uso de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) ou outro dispositivo auditivo que permita que o som ambiental seja detectado em um nível de intensidade apropriado, as habilidades envolvidas no processamento da informação acústica não estarão sendo utilizadas adequadamente e, em consequência, o sistema nervoso auditivo central entende que este processo não possui tanta importância, reduzindo assim, as conexões sinápticas e enfraquecendo este processo”. O fonoaudiólogo também dá algumas orientações sobre como os professores podem ajudar a criança com DPAC em sala de aula. “Em momentos importantes da vida da criança, como a alfabetização e demais processos acadêmicos, os professores não só podem como devem utilizar estratégias que facilitem o input (entrada) da informação auditiva a crianças com diagnóstico de DPAC. Como, por exemplo, proporcionar menor distância entre ele e a criança, evitar posicionar a criança próximo de portas e janelas, procurar falar de forma clara e pausada, de frente para a criança, evitar falar em momentos de muito barulho e sempre que possível fornecer as instruções e atividades próximo a ela. O controle acústico do ambiente onde a criança está exposta deve ser o mais silencioso e menos reverberante possível, objetivando a compreensão da informação com o mínimo de ruído mascarante”, finaliza. Referências consultadas (Central) Auditory Processing Disorders. Disponível em: http://www.asha.org/policy/TR2005-00043 PEREIRA L.D. & SCHOCHAT,E. Processamento Auditivo Central – manual de avaliação. São Paulo, Lovise, 1997b. p.49-59. ______. Testes Auditivos Comportamentais para Avaliação do Processamento Auditivo Central. Pró-Fono. 2011. 82p.

domingo, 27 de novembro de 2016

ANAMNESE- INVESTIGANDO AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Quando um aluno é encaminhado à Equipe Multidisciplinar com queixas de dificuldades de aprendizagem e comportamento, a anamnese é o procedimento fundamental no processo de investigação, pois a quantidade de informações, principalmente quando são dadas pela mãe, que se pode obter direciona em torno de 80% as hipóteses diagnósticas, sejam psicopedagógicos quanto neurológicas. Anamnese trata-se de uma entrevista com a família. Pela mãe preferencialmente, familiarizares próximos ou cuidadores. Deverá ser a pessoa que detém as informações que contenha fatos principais da história de vida do aluno desde sua concepção no contexto familiar. Em termos médicos a anamnese feita pelo profissional de saúde é sinônimo de história clínica. Como já foi assinalado no artigo sobre relatório de avaliação pedagógica, o vínculo afetivo, do avaliador com a criança, é muito importante, e da mesma forma com a família , em relação á anamnese; são momentos de ansiedade e angústia tanto para a criança, que pensa estar diante de ações, que prá ela tem um caráter punitivo por não estar aprendendo, quanto para a família que chega à escola, após inúmeras reclamações e queixas, com sentimentos opostos de desejo de ajuda e medo de estar diante de um comprometimento maior do aluno. É necessário um momento de descontração e até de cumplicidade para que durante a anamnese haja tranquilidade, confiança e fidelidade nos relatos. Levando em conta que não se sabe ao certo o que a família espera desta investigação e mesmo por estar já exausta de ter exposto a história de vida do filho, é preciso ter muito tato e saber exatamente o que se quer saber detalhadamente e até a perspicácia de se deter mais em determinados relatos que sugerem um aprofundamento, indo além do que esteja estabelecido previamente. As informações recebidas devem ser comparadas com desenvolvimento de crianças na mesma faixa etária (o que é normal para uma idade não o é para outra) e devem ser embasadas cientificamente (quando, então, o pedagogo ou psicopedagogo, encaminhará aos profissionais da saúde, indicados). A anamnese que vai proporcionar dados relevantes na investigação de dificuldades de aprendizagem e comportamento deve ter a seguinte estrutura: · queixa principal, · história do desempenho escolar, · história familiar, · hábitos diários, · vida familiar, antecedentes maternos, · antecedentes gestacionais, · parto, período neonatal, · desenvolvimento neuropsicomotor, · interações sociais.