segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL NA ESCOLA- P.A.C.

Devido às dificuldades de se processar as informações adquiridas pelas vias auditivas, o aluno com DPAC poderá enfrentar grandes obstáculos no modelo de ensino tradicional brasileiro, em que as aulas são ministradas oralmente pelo professor. Adiciona-se a essa questão o desconhecimento do DPAC pelas escolas e seus profissionais, o que acaba dificultando ainda mais as vivências do aluno nesse ambiente, podendo gerar desde baixa autoestima até dificuldades na socialização. “Na escola é muito complicado, pois os professores não estão habituados a lidar com o distúrbio do processamento auditivo, e nem o conhecem. É grande a importância de um trabalho multidisciplinar que integre a família, a escola, os professores, os profissionais fonoaudiólogos e psicopedagogos para apoiarem o aluno com DPAC, oferecendo alternativas de absorção dos conteúdos e estimulando o aprendizado dessas crianças. A mãe Sônia Freitas conta sobre as estratégias usadas. “As recomendações são: colocar o aluno nas primeiras carteiras, longe de distrações, quando falar, olhar diretamente para o rosto do aluno e próximo a ele, certificar se ele realmente entendeu os comandos e o que deve ser realizado, se possível, dar mais tempo para a realização da avaliação e, se necessário, fazer a leitura da prova para ele. São várias estratégias que se pode ter de acordo com a necessidade. Mas a escola só segue as recomendações porque eu estou quase todos os dias lá e fico no pé de todo mundo”.
Tratamentos alternativos e orientações aos professores Além do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, outra opção para auxiliar a criança com DPAC é o uso do Sistema de Frequência Modulada (FM) na escola, pois este equipamento também pode ser utilizado em indivíduos sem perda auditiva periférica. O FM amplificará a voz do professor, fazendo com que a criança volte sua atenção mais facilmente para o que este explica em sala de aula. E se, além do DPAC, o diagnóstico também apontar perda auditiva condutiva ou neurossensorial, a criança deverá usar AASI (Aparelhos de Amplificação Sonora Individual) ou Implante Coclear, dependendo do grau de sua perda. Comerlatto explica a importância de uma estimulação auditiva precoce para se prevenir o DPAC. “O DPAC pode vir a ocorrer de forma secundária à outra alteração, como por exemplo, a perda auditiva, tanto em crianças, adultos e idosos. O nosso sistema auditivo é plástico, ou seja, ele se modifica de acordo com seu uso. Esta plasticidade pode ocorrer de forma “positiva”, como são os casos dos treinamentos, mas também ela pode ocorrer de forma “negativa” referindo-se a perda da capacidade de desempenhar determinada tarefa por algum motivo. Por exemplo, se uma criança vier a ter uma perda auditiva permanente e não for realizado um processo de reabilitação com o uso de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) ou outro dispositivo auditivo que permita que o som ambiental seja detectado em um nível de intensidade apropriado, as habilidades envolvidas no processamento da informação acústica não estarão sendo utilizadas adequadamente e, em consequência, o sistema nervoso auditivo central entende que este processo não possui tanta importância, reduzindo assim, as conexões sinápticas e enfraquecendo este processo”. O fonoaudiólogo também dá algumas orientações sobre como os professores podem ajudar a criança com DPAC em sala de aula. “Em momentos importantes da vida da criança, como a alfabetização e demais processos acadêmicos, os professores não só podem como devem utilizar estratégias que facilitem o input (entrada) da informação auditiva a crianças com diagnóstico de DPAC. Como, por exemplo, proporcionar menor distância entre ele e a criança, evitar posicionar a criança próximo de portas e janelas, procurar falar de forma clara e pausada, de frente para a criança, evitar falar em momentos de muito barulho e sempre que possível fornecer as instruções e atividades próximo a ela. O controle acústico do ambiente onde a criança está exposta deve ser o mais silencioso e menos reverberante possível, objetivando a compreensão da informação com o mínimo de ruído mascarante”, finaliza. Referências consultadas (Central) Auditory Processing Disorders. Disponível em: http://www.asha.org/policy/TR2005-00043 PEREIRA L.D. & SCHOCHAT,E. Processamento Auditivo Central – manual de avaliação. São Paulo, Lovise, 1997b. p.49-59. ______. Testes Auditivos Comportamentais para Avaliação do Processamento Auditivo Central. Pró-Fono. 2011. 82p.