segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O QUE É UMA AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Normalmente a escola encaminha crianças e adolescente para Avaliação Psicopedagógica por uma razão específica: o desempenho escolar não está de acordo com o esperado. Ou o processo de leitura e escrita está aquém se comparado com as demais crianças da turma ou  apresenta dificuldades na compreensão de uma determinada disciplina ou ainda o aluno mantém um comportamento frente a aprendizagem desmotivado ou até  mesmo alienado. São muitas as queixas iniciais, mas são poucas as famílias que compreendem a importância de investigar a fundo as dificuldades de seu filho para então tomar a decisão mais acertada.
criança vai mal na escola
É importante ressaltar que a avaliação Psicopedagógica ou Psicoeducacional é o começo de um processo de investigação. São de 6 a 12 sessões com o paciente (aluno) que investigará diferentes dimensões relacionadas à aprendizagem: afetivo, cognitivo, social, intelectual, psicomotor, entre outros.
Normalmente a avaliação começa com a EOCA,  Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem, que visa situar o Psicopedagogo sobre a maneira com a qual o paciente lida com sua aprendizagem.
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A dimensão cognitiva diz respeito aos Testes Cognitivos (Provas Piagetianas) que delimitam a capacidade cognitiva do sujeito, ou seja, situa em que nível sua cognição (a capacidade de adquirir um conhecimento) está em comparação a sujeitos da mesma faixa etária.  Essas capacidades são adquiridas gradualmente de acordo com cada idade, ou seja, cada sujeito em determinado estágio do desenvolvimento vai responder ãs Provas Piagetianas de uma determinada maneira e a partir delas é possível afirmar se o mesmo está preparado para as aprendizagens de um determinado conteúdo.
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Provas Piagetianas
Quando uma criança tem atraso cognitivo, ou seja, não responde como deveria as questões propostas é bem provável que não consiga aprender o que lhe é proposto na escola. Uma criança de 7 anos que não consegue aprender a ler e escrever pode ter um atraso no seu desenvolvimento cognitivo e ao invés de repetir o processo de alfabetização muitas e muitas vezes, outros instrumentos Psicopedagógicos devem ser oferecidos para que essa criança se desenvolva e então seja capaz de aprender.
Os Testes Psicomotores demonstram a capacidade motora e suas nuances que estão relacionadas intrinsecamente com a cognição. Sabemos que uma criança que não amarra os sapatos aos 6/7 anos, ou não pula corda aos 8/9, ou é incapaz de copiar um simples desenho aos 5/6 poder ter comprometimento psicomotor e por consequência uma imaturidade que impossibilita o aprender.
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Teste Bender
No âmbito social, os Testes de Linguagem Escrita auxiliam no diagnóstico de Dislexia ou dificuldades específicas de leitura e escrita, bem como verificar se as habilidades nessa área estão adequadas para a faixa etária e condição social. Uma criança que não consegue resolver problemas matemáticos pode ter uma séria dificuldade de leitura e interpretação que acarreta no mau desempenho em lógica.
escrita
Os Testes de Inteligência pontuam sobre o nível de inteligência do aprendiz, esse índice de inteligência pode apontar para quais habilidades estão mais frágeis, sejam elas memória, capacidade de execução ou atenção, para não citar tantas outras que podem ser medidas nesse tipo de testagem. Veja que os testes de inteligência para a Psicopedagogia não tem como objetivo medir o QI, mas sim dar pistas do que está adequado e o que precisa ser trabalhado mais fortemente para que o sujeito aprenda mais e melhor.
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Já as Provas Projetivas buscam esclarecer as condições afetivas/emocionais para aprendizagem. Sentir-se bem no ambiente escolar, confiar no professor e ter carinho por ele, ver-se capaz de produzir e ser útil no ambiente familiar  é crucial para uma boa aprendizagem. Sem boas relações afetivas o sujeito não é capaz de aprender, mesmo que sua cognição e inteligência estejam intactos.
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No âmbito social, as Provas Pedagógicas são utilizadas para  demonstrar as aprendizagens escolares do sujeito, o que ele já sabe, o que não sabe e ainda o que deveria  saber no nível escolar em que se encontra.
Depois de no mínimo 6 encontros com a criança e com os diferentes testes aplicados, o Psicopedagogo utiliza o instrumento da  Anamnese que esclarece a história de vida e tenta compreender as razões históricas da mesma e de suas dificuldades.
Quanto a interação com a escola, o processo de avaliação Psicopedagógico poderá recolher informações com um questionário para a escola que visa a  investigação junto à mesma sobre o processo de aprendizagem do sujeito ou pode até mesmo visitar a escola e observar o sujeito nesse ambiente, se assim for necessário.
Depois de todo esse processo, o Psicopedagogo organiza uma Devolutiva para a família em forma de laudo escrito. Esse laudo deve conter todos os resultados obtidos nas testagens, além de possíveis encaminhamentos para outros profissionais, se caso necessário, como  Neuropediatra, Fonoaudiólogo, entre outros e também a resposta para a queixa trazida pelos pais na primeira entrevista.
A mesma devolutiva deve ser dada à escola em forma de visita com uma cópia do laudo clínico.
Muitos profissionais se utilizam desse tipo de avaliação, como o neuropediatra ou psiquiatra infantil para realizar um diagnóstico mais assertivo, a escola e seus professores para organizar um fazer pedagógico mais apropriado às características do sujeito e por fim a própria família que diante de uma avaliação bem feita pode tomar as devidas providências com mais segurança (seja de manter as sessões Psicopedagógicas ou procurar um outro profissional).
É importante registrar que alguns dos testes citados acima só podem ser aplicados por psicólogos.