terça-feira, 20 de setembro de 2011

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: O Papel do educador, a criança e o adulto.

A Hiperatividade ou Déficit de Atenção são termos usados para descrever um transtorno cujos sintomas estão relacionados à falta de atenção, hiperatividade (excesso de atividade motora) e impulsividade. Estes problemas trazem dificuldades no dia-a-dia daquelas pessoas que o possuem ou convive com crianças hiperativas.
Apesar de este distúrbio atingir cerca de 5% de crianças em todo o mundo, pouco se conhece sobre ele. Os sintomas podem ser observados no cotidiano da criança e devem receber atenção especial se os mesmos vêem se repetindo por um longo período.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH / TDA pode acometer crianças e adultos. Nas crianças, as características são mais evidentes, como por exemplo, a dificuldade de concentração e consequentemente, muitas dificuldades na escola; e atividade motora excessiva, tanto dentro de casa como em ambientes públicos. Em adultos, as características levam à dificuldades no relacionamento interpessoal. É importante lembrar que a presença de apenas um sintoma não é suficiente para a o diagnóstico preciso

No Brasil, este transtorno é pouco conhecido e pouco difundido, uma vez que muitos mitos foram elaborados a respeito do mesmo. Muitos brasileiros desconhecem a sua existência e poucos sabem sobre os sintomas, o diagnóstico e o tratamento.

Muitos pais que observam seus filhos irrequietos e impulsivos desconhecem que tais comportamentos podem estar relacionados a um distúrbio, e que merece tratamento especializado.

Em tempos mais remotos, cria-se que o transtorno era um distúrbio apenas psicossocial, ou seja, apenas os fatores sociais e psicológicos levavam ao quadro da hiperatividade. As pesquisas atuais revelam um grande avanço para o diagnóstico, mas ainda há muito por descobrir.

O cérebro humano consiste em um complexo sistema de ligações e impulsos que controlam o corpo. Há uma área específica do cérebro que controla o comportamento e o autocontrole, chamada de lobo frontal. As pesquisas realizadas mostram que esta parte especifica do cérebro é a responsável por inibir, controlar e gerenciar atitudes. Em um exemplo prático, ele seria responsável por não permitir que uma pessoa dê uma resposta inconveniente a outra por impulsividade. O comprometimento está relacionado a um déficit dos neurotransmissores 1, o que compromete o funcionamento do córtex pré-frontal O portador de TDAH / TDA tem dificuldade em controlar sua impulsividade e hiperatividade, justamente por ter sua atividade cerebral no lobo frontal comprometida.

Segundo o Dr. Russel Barkley, um dos importantes pesquisadores neste tipo de transtorno, afirma que o TDAH é um transtorno de base genética caracterizada por um metabolismo deficiente dos neurotransmissores, que precisa receber um tratamento adequado. Segundo Barkley "a atividade cerebral que comanda a inibição do comportamento, a auto-organização, o autocontrole e a habilidade de inferir o futuro está prejudicada por um metabolismo deficiente dos neurotransmissores, levando à incapacidade de administrar eficazmente os aspectos críticos do dia a dia".

Muitos estudos estão sendo feitos para desvendar alguns mitos existentes, inclusive sobre suas causas. Apesar dos fatores genéticos serem um grande determinante, não se pode arrolar fatores isolados para a causa do TDAH. É importante lembrar que existem diagnósticos e tratamentos corretos para tal. Mas o que pouco se conhece é que crianças portadoras de TDAH se não tratadas adequadamente poderão ser adultos com dificuldades.

As pesquisas mostram que a maioria das crianças com TDAH pode chegar à maturidade com problemas e que experimentam dificuldades no relacionamento com suas famílias, cônjuges, trabalho e comunidade. Também podem ter problemas emocionais, inclusive depressão, ansiedade, envolvimento com alcoolismo e o uso de drogas.

A existência da forma adulta do TDAH foi reconhecida oficialmente em 1980 pela Associação Psiquiátrica Americana. Os adultos muitas vezes apresentam os sintomas do TDAH, mas não os identifica, por desconhecer que existe um distúrbio com essas características ou por considerar que são sintomas apenas decorrentes de uma vida estressante.

Hallowell e Ratey (1994) apontam as características específicas de adultos com TDAH:

>> Instabilidade de humor;

>> Dificuldades em ouvir e se concentrar;

>> Dificuldade de se fixar em um emprego;

>> A mulher tende a sonhar acordada, ter depressão e frustração por não conseguir desenvolver seu potencial e também a sensação de estar presa em uma armadilha;

>> Para os homens, a dificuldade consiste na incapacidade de prestar atenção em detalhes, não ouvir e ter atenção com o outro, não lembrar de acontecimentos importantes, podendo muitas vezes ser considerado um homem frio, insensível e egoísta. Geralmente tem a cabeça quente e toma decisões sem consultar a esposa.


Poucas pessoas levam em consideração a possibilidade do TDAH estar no alicerce de um casamento, por acreditar que esses sintomas são comuns à vida de qualquer casal. Muitos destes problemas não resolvidos podem levar ao divórcio.

O adulto com TDAH sente grandes dificuldades de estabelecer prioridades, de completar uma tarefa sem começar outra e fica facilmente estressado por assumir compromissos simultaneamente.

A relação conjugal pode ficar comprometida devido ao fato da ausência de paciência para ouvir do portador e a dificuldade de estabelecer intimidade, levando-o a uma desagradável relação conjugal.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade tanto em crianças como em adultos podem receber diagnóstico e tratamento adequados, mas é necessário procurar um profissional capacitado para realizar o diagnóstico e encaminhar a tratamento eficaz.

De acordo com o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana), o diagnóstico é feito pela confirmação de numerosos sintomas associados que devem ser identificados por um especialista: o Psiquiatra.


Qual o papel do educador neste contexto? Cabe a nós educadores, ajudar no pré diagnóstico deste transtorno, e orientar os pais a procurar um profissional competente para realizar os testes. Nossa função é ajudar os pais de nossos alunos a vencer o preconceito e o de conscientizá-los de que há cura.

Fonte:www.webartigos.com