terça-feira, 22 de julho de 2008

A IMPORTÂNCIA DAS ATIVIDADES LÚDICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Estudos e pesquisas têm comprovado a importância das atividades lúdicas, no desenvolvimento das potencialidades humanas das crianças, proporcionando condições adequadas ao seu desenvolvimento físico, motor, emocional, cognitivo, e social. Atividade lúdica é toda e qualquer animação que tem como intenção causar prazer e entretenimento a quem pratica. São lúdicas as atividades que propiciam a experiência completa do momento, associando o ato, o pensamento e o sentimento. A criança se expressa, assimila conhecimentos e constrói a sua realidade quanto está praticando alguma atividade lúdica. Ela também espelha a sua experiência, modificando a realidade de acordo com seus gostos e interesses.Na educação Infantil podemos comprovar a influência positiva das atividades lúdicas em um ambiente aconchegante, desafiador, rico em oportunidades e experiências para o crescimento sadio das crianças. Os primeiros anos de vida são decisivos na formação da criança, pois se trata de um período em que a criança está construindo sua identidade e grande parte de sua estrutura física, socioafetiva e intelectual. É, sobretudo, nesta fase que se deve adotar várias estratégias, entre elas as atividades lúdicas, que são capazes de intervir positivamente no desenvolvimento da criança, suprindo suas necessidades biopsicossociais, assegurando-lhe condições adequadas para desenvolver suas competências. Todas as instituições que atendem crianças de 0 a 5 anos, deve promover o seu desenvolvimento integral, ampliando suas experiências e conhecimentos, de forma a estimular o interesse pela dinâmica da vida social e contribuir para que sua integração e convivência na sociedade sejam produtivas e marcadas pelos valores de solidariedade, liberdade, cooperação e respeito. As intuições infantis precisam ser acolhedoras, atraentes, estimuladoras, acessíveis ás crianças e ainda oferecer condições de atendimento ás famílias, possibilitando a realização de ações sócioeducativas.
As crianças necessitam receber nas instituições de educação infantil:
Ações sistemáticas e continuadas que visam a fornecer informações;
Realizar vivências através de atividades lúdicas;
Aprimorar conhecimentos.
São vários os benefícios das atividades lúdicas, entre eles estão:
Assimilação de valores;
Aquisição de comportamentos;
Desenvolvimento de diversas áreas do conhecimento
Aprimoramento de habilidades;
Socialização.
Quanto ao tipo de atividades lúdicas existentes, são muitas, podemos citar:
Desenhar;
Brincadeiras;
Jogos;
Danças;
Construir coletivamente;
Leituras;
Softwares educativos;
Passeios;
Dramatizações;
Cantos;
Teatro de fantoches, etc.
As atividades lúdicas podem ser uma brincadeira, um jogo ou qualquer outra atividade que permita tentar uma situação de interação. Porém, mais importante do que o tipo de atividade lúdica é a forma como é dirigida e como é vivenciada, e o porquê de estar sendo realizada.Toda criança que participa de atividades lúdicas, adquire novos conhecimentos e desenvolve habilidades de forma natural e agradável, que gera um forte interesse em aprender e garante o prazer.Na educação infantil, por meio das atividades lúdicas a criança brinca, joga e se diverte. Ela também age, sente, pensa, aprende e se desenvolve. As atividades lúdicas podem ser consideradas, tarefas do dia-a-dia na educação infantil.De acordo com Teixeira (1995), vários são os motivo que induzi os educadores a apelar às atividades lúdicas e utilizá-las como um recurso pedagógico no processo de ensino-aprendizagem. Segundo Schwartz (2002), a criança é automotivada para qualquer prática, principalmente a lúdica, sendo que tendem a notar a importância de atividades para o seu desenvolvimento, assim sendo, favorece a procura pelo retorno e pela manutenção de determinadas atividades. Huizinga (1996), diz que numa atividade lúdica, existe algo “em jogo” que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à ação.
Para Schaefer (1994), as atividades lúdicas promovem ou restabelecem o bem estar psicológico da criança. No contexto de desenvolvimento social da criança é parte do repertório infantil e integra dimensões da interação humana necessária na análise psicológica (regras, cadeias comportamentais, simulações ou faz-de-conta aprendizagem observacional e modelagem).Toda a atividade lúdica pode ser aplicada em diversas faixas etárias, mas pode sofrer intervenção em sua metodologia de aplicação, na organização e no prover de suas estratégias, de acordo com as necessidades peculiares das faixas etárias. As atividades lúdicas têm capacidade sobre a criança de gerar desenvolvimento de várias habilidades, proporcionando a criança divertimento, prazer, convívio profícuo, estímulo intelectivo, desenvolvimento harmonioso, autocontrole, e auto-realização. O educador deverá propiciar a exploração da curiosidade infantil, incentivando o desenvolvimento da criatividade, das diferentes formas de linguagem, do senso crítico e de progressiva autonomia. Como também ser ativo quanto às crianças, criativo e interessado em ajudá-las a crescerem e serem felizes, fazendo das atividades lúdicas na educação Infantil excelentes instrumentos facilitadores do ensino-aprendizagem.As atividades lúdicas, juntamente com a boa pretensão dos educadores, são caminhos que contribuem para o bem-estar, entretenimento das crianças, garantindo-lhes uma agradável estadia na creche ou escola. Certamente, a experiência dos educadores, além de somar-se ao que estou propondo, irá contribuir para maior alcance de objetivos em seu plano educativo.
Angela Cristina Munhoz Maluf

Referências:HUIZINGA, J. Homo Ludens. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. MALUF, Ângela Cristina Munhoz - Brincar Prazer e Aprendizado. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes 2003._______Conheça Bem, eduque melhor- Crianças e Jovens.Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes 2006NEGRINE, Airton da Silva. A Coordenação Psicomotora e suas Implicações. Porto Alegre. 1987.PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., O Mundo da Criança, Ed. McGraw-Hill, São Paulo, 1981.PIAGET, Jean. A Construção do Real na Criança. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1970.________ O nascimento da Inteligência na criança. Suíça. Editora Guanabara, 1987.SCHAEFER (1994) -Play therapy for psychic trauma in children. Em K.J. O´Connor & C.E. Schaefer Handbook of Play Therapy. Advances and Innovations. New York: WileySCHWARTZ, G. M. Emoção, aventura e risco - a dinâmica metafórica dos novos estilos. In: BURGOS, M. S.; PINTO, L. M. S. M. (Org.) Lazer e estilo de vida. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2002, p. 139-168.TEIXEIRA, Carlos E. J. A ludicidade na escola. São Paulo: Loyola, 1995.

Brincar é coisa séria

A importância de brincar
Brincar é tão importante para a criança como trabalhar é para o adulto. É o que a torna ativa, criativa, e lhe dá oportunidade de relacionar-se com os outros; também a faz feliz e, por isso, mais propensa a ser bondosa, a amar o próximo, a ser solidária.
A criança não é um adulto que ainda não cresceu. Ela tem características próprias. Para alcançar o pensamento adulto (abstrato), ela precisa percorrer todas as etapas de seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. Seu primeiro apoio nesse desenvolvimento é a família. Posteriormente, esse grupo se amplia com os colegas de brincadeiras e a escola.
Brincando, a criança desenvolve potencialidades; ela compara, analisa, nomeia, mede, associa, calcula, classifica, compõe, conceitua, cria, deduz etc…
Sua sociabilidade se desenvolve; ela faz amigos, aprende a compartilhar e a respeitar o direito dos outros e as normas estabelecidas pelo grupo, e a envolver-se nas atividades apenas pelo prazer de participar, sem visar recompensas nem temer castigos. Brincando, a criança estará buscando sentido para sua vida. Sua saúde física, emocional e intelectual depende, em grande parte, dessa atividade lúdica.EtapasO brincar também tem suas etapas de desenvolvimento. A criança começa a brincar sozinha, manipulando objetos. Posteriormente, procurará companheiros para as brincadeiras paralelas (cada um com seu brinquedo). A partir daí, desenvolverá o conceito de grupo e descobrirá os prazeres e frustrações de brincar com os outros, crescendo emocionalmente.
Brincar em grupo evita que a criança se desestimule, mesmo quando ainda não sabe brincar junto. Ela aprende a esperar sua vez e a interagir de forma mais organizada, respeitando regras e cumprindo normas. Com os grupos ela aprende que, se não encontrarmos uma forma eficiente de cooperar uns com os outros, seremos todos prejudicados. A vitória depende de todos. Aprende-se a ganhar e a perder.A atividade lúdica produz entusiasmo. A criança fica alegre, vence obstáculos, desafia seus limites, despende energia, desenvolve a coordenação motora e o raciocínio lógico, adquirindo mais confiança em si e aprimorando seus conhecimentos.Escolhendo os brinquedosVeja algumas indicações que podem ajudar a escolher os brinquedos:• InteresseÉ o brinquedo que convida a brincar, que desafia seu pensamento.• Adequação: Deve atender a etapa de desenvolvimento em que a criança se encontra e suas necessidades emocionais, sócio-culturais, físicas e intelectuais.• Apelo à imaginação: Deve estimular a criatividade e não limitá-la.• Versatilidade: O brinquedo pode ser usado de diferentes formas, explorando a inventividade.• Composição: As crianças gostam de saber como o brinquedo é por dentro.• Cores e formas: O colorido, texturas e formas diferentes a estimulam sensorialmente.• Tamanho: Deve ser compatível com sua motricidade (quanto menor a criança, maiores serão as peças do brinquedo).• Durabilidade: Brinquedos muito frágeis causam frustração não somente por que se quebram, mas também porque não dão à criança tempo suficiente para estabelecer uma relação com eles.• Segurança: Este é um dos mais importantes itens na escolha de um brinquedo. Deve ser feito de tinta atóxica, sem pontas e arestas nem peças que possam se soltar.Quanto à brincadeira • Dê tempo para que a criança possa explorar o material, deixando que ela tente sozinha, mas estando disponível se precisar de ajuda.• Estimule sua auto-estima; faça com que ela se sinta capaz de aprender, dando-lhe o tempo que precisar.• Encoraje suas manifestações espontâneas, permita que ela tome a iniciativa.• Introduza propostas novas, estimulando a resolução de problemas.• Escolha brinquedos adequados ao nível de desenvolvimento e interesse da criança.• Aumente a dificuldade se notar que o jogo está fácil demais e reduza-a se estiver além de seu entendimento.
E lembre-se: quando apresentar um brinquedo a seu filho, demonstre interesse. Uma caixa vazia, dependendo de como lhe for apresentada, poderá virar uma casa, um barco, um carro, uma torre, uma cama de bonecas, um fogão... ou, simplesmente, uma caixa vazia.

A arte de contar histórias e sua importância no desenvolvimento infantil


Contar e ouvir histórias é sempre um convite à descoberta. Quando ouvimos a palavra contada arregalamos nossos olhos, esticamos nossos ouvidos e o corpo relaxa como se estivesse se aprontando para receber o conto.
Dentro de nós, ouvintes, vão entrando os personagens, com roupas diferentes, cenários diversos, cheiros, cores e sabores que fazem funcionar todos os sentidos.
Ouvir uma história é também saboreá-la em pedaços, sentindo a diferença de cada gosto. Doce, amargo, com gosto de sal, e por vezes, levemente temperada.
As histórias despertam os sentidos não só de quem escuta, mas também de quem conta.
O contador de história que irá contar, vestindo-se com os personagens, encantando-se com as palavras, perfumando-se com o aroma dos verbos e objetos.
Em cada movimento um olhar, um sorriso, uma pausa.
E na sala de aula, na biblioteca, no palco ou na casa da gente, vamos dando asas à imaginação em parceria com o ouvinte.
Crianças, adolescentes ou adultos, todos recebem o bilhete de entrada e partem juntos com o contador para uma viagem além das palavras. E descobrem, nessa viagem, que uma história lembra outra e que de algumas gostam mais. E gostam tanto que tem a vontade de reencontrá-la sempre e por isso pedem:
- Repete!
E a história é contada e recontada por muitas vezes. Todas as vezes que os desejos dos ouvintes solicitarem.
Cabe ao contador entender a vontade de se apropriar da história que o ouvinte muitas vezes quer. Então que sejam contadas tantas vezes quanto a vontade pedir, e que cada vez seja com a emoção da primeira vez. Uma vez única, e especial sempre para os ouvidos de quem escuta e os olhos de quem enxerga a história com os olhos do coração.
Não temos dúvida de que grande parte da história da humanidade foi impressa na oralidade e não temos dúvida também de que o mundo contemporâneo anda preocupado em não perder sua história. E o ato de narrar é uma das atividades de resistência de uma possível perda dessa nossa história.
História costurada com outras histórias que merecem ser narradas com paixão pelas palavras, pelos sons e pelos gestos.
Então vale algumas dicas, que não são receitas, nem passos, são apenas lembranças:
Escolha uma história de que você goste.
Aproprie-se da história (lendo, lendo, lendo).
Imagine o cenário, personagens e o tempo que a história tem.
Escolha a voz, sua e a dos personagens.
Defina uma forma de memorizar.
Compartilhe a sua história com alguém, antes de contar para todo mundo.
Cuidado com a sua postura e com os vícios de linguagem.
Não esqueça de olhar para todos.
Naturalidade, fale com o coração, para que seu ouvinte deseje ouvi-lo.
(Lúcia Fidalgo – Bibliotecária; Contadora de Histórias do Grupo Morandubetá; Escritora; Mestre em Educação)

domingo, 20 de julho de 2008

1º mito: A dislexia atrapalha a alfabetização


Criança que troca letras é disléxica, certo? Não. Focar a expressão escrita na oralidade (escrever como se fala), trocar tipos parecidos foneticamente (como F e V), juntar palavras e unir letras de forma aparentemente aleatória são ações absolutamente normais do processo de alfabetização. Quem sabe como o aluno constrói esse novo conhecimento considera esses fatos como um avanço em relação a uma etapa anterior, não um erro.As pesquisadoras argentinas Emilia Ferreiro e Ana Teberosky descobriram (há quase 30 anos!) que os estudantes elaboram diferentes hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita, como se fossem degraus numa escada rumo à aprendizagem. Investigações na área de didática são unânimes em demonstrar que se alfabetizar está longe de ser uma tarefa simples, num processo complexo em que as idéias dos pequenos nem sempre coincidem com as dos adultos. “Observar a relação do aluno com a própria escrita é mais importante do que apontar erros e muito mais efetivo do que rotulálo como portador de um distúrbio”, afirma Giselle Massi, especialista em fonoaudiologia e linguagem, em Curitiba. Em vez de encaminhar para um tratamento de saúde, o importante é compreender que o percurso é tão importante e desafiador quanto sua conclusão.Vale lembrar que saber escrever vai além da aquisição da ortografia correta. Aspectos textuais, como coerência, utilização e manipulação de referências e construção lógica de idéias, evidenciam a capacidade de uso da escrita. Apesar de serem centrais na avaliação do nível de compreensão que cada criança tem da linguagem, esses elementos muitas vezes são ignorados. Por exemplo: um aluno que troca letras pode apresentar outras qualidades em seus textos e, portanto, não deve ser tachado de doente, sem apelação.

terça-feira, 8 de julho de 2008

OBRIGADÃO ANDREIA


Repasso o selinho para os seguintes amigos:

psicolucia.blogspot.com

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inclusaobrasil.blogspot.com

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caminhosdefelicidade.blogspot.com

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"Pegue o selo no Gospel Gifs http://gospel-gifs.zip.net , nomeie 10 blogs amigos e visite cada um deles avisando da nomeação. se vc foi nomeado por alguém, passe adiante e visite os outros nove blogs que foram nomeados junto com vc.Ao repassar a campanha, pode copiar o texto acima ou criar o seu próprio texto. O importante é não esquecer de avisar onde se encontra o selo e de nomear os seus 10 blogs amigos."

domingo, 6 de julho de 2008

DIVERSOS OLHARES SOBRE O BRINCAR: VIGOTSKY, PIAGET, MONTESSORI, FERNÁNDEZ, MACEDO.

Estudiosos contemporâneos como Piaget, Vigotsky, Montessori Alicia Fernandes e Lino de Macedo deram um destaque especial ao brincar da criança atribuindo-lhe papel decisivo na evolução dos processos de desenvolvimento humano. Para Vigostsky, no brincar, a criança está sempre acima de sua idade média, acima de seu comportamento diário. Assim na brincadeira, as crianças manifestam certas habilidades que não seriam esperadas para sua idade. Daí vê-se o quanto o brincar é benéfico ao aprendizado, pois a pessoa está em condição favorável para aprender.Vigotsky diz que,A promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, principalmente aquelas que promovem a criação de situações imaginárias, tem nítida função pedagógica. A escola e, particularmente, a pré-escola poderiam se utilizar deliberadamente desse tipo de situações para atuar no processo de desenvolvimento das crianças. (Vigostsky apud Oliveira, 2004, 67).
Para ele a imaginação em ação ou brinquedo é a primeira possibilidade de ação da criança numa esfera cognitiva que lhe permite ultrapassar a dimensão perceptiva motora do comportamento. O brinquedo concede as estruturas básicas necessárias para as mudanças das necessidades e da consciência infantil, vivenciando uma experiência, no ato de brincar, como se fosse bem maior do que realmente é.Piaget a reconhece como um instrumento que favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social principalmente no nos períodos sensório-motor e pré-operatório onde diz que “agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas, estruturam seu espaço e o seu tempo, desenvolvem a noção de causalidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica”. (Piaget, apud Kishimoto, 1996, 95).Desse modo, deve-se então respeitar o interesse do aluno e trabalhar a partir da sua espontaneidade, formulando os desafios necessários à sua capacidade e acompanhando seu processo de construção do conhecimento. Para esse autor, também é a representação em atos, através do jogo simbólico, a primeira possibilidade de pensamento propriamente dito, marcando a passagem de uma inteligência sensório – motora, para uma inteligência representativa pré – operatória.Uma outra importante contribuição nesta temática foi a de Maria Montessori que desenvolveu um método e debruça-se sobre uma proposta educacional onde o aluno é o sujeito de sua própria educação proporcionando-lhes a possibilidade de vivenciar os valores que se propõe atingir ao longo da ação educativa que exercem, bem como, propiciar a liberdade de movimentos e autodisciplina e a autodeterminação. Nele o educando é educador de si mesmo, tendo a possibilidade de escolher seu trabalho, de se mover por conta própria, de se tornar responsável pelo seu progresso e crescimento. “Pelo método, o educando caminha para a independência e liberdade, numa atividade autodirigida”. ( Mafra, 1986, 22). O método Montessori não foi inventado, foi construído no dia a dia da criança e colorida peças sólidas de tamanhos, formas e texturas diferenciadas fazem parte das estratégias propostas que aguçam os pequenos a abrir, fechar, encaixar, abotoar, tatear, calcular, contar e uma infinidade de outros atrativos que provocam o raciocínio e auxiliam todo tipo de aprendizado do sistema decimal à estrutura da linguagem.O material dourado é um exemplo dos materiais criados por Maria Montessori que ainda hoje é largamente usado nas escolas públicas e particulares do Brasil e do mundo todo.As contribuições dessa médica, pedagoga, antropóloga e psicóloga para a área educacional, são ainda hoje universais como se percebem na utilização da disposição circular dos alunos, os jogos pedagógicos sempre disponíveis, os cubos lógicos de madeira para o ensino de matemática, como também na utilização do preceito da criança ser o condutor do próprio aprendizado; o educador ser um mediador do conhecimento e ainda, a educação voltada para o desenvolvimento de seres humanos autoconfiantes e independentes que visam tanto o bem individual quanto o bem coletivo.Na área Psicopedagógica, renomados autores como Sara Paín, Alicia Fernandes, Lino de Macedo, entre outros, chamam atenção para o fato do brincar como um trabalho preventivo e várias pesquisas demonstram que a eficácia tem influência dos professores podem estar enriquecendo seu trabalho, diversificando recursos,Dada a amplitude dos fatores que intervêm na determinação das causas de dificuldades ou problemas de aprendizagem, o diagnóstico e tratamento psicopedagógico, além de outros, muito se vale dos procedimentos utilizados na psicoterapia e no psicodiagnóstico, dentre os quais encontra-se o jogo ou o brincar. (PAIN, apud SISTO, 2001 p. 174).
As crianças fazem da brincadeira uma ponte para o imaginário e a partir dele muito pode ser trabalhado. Contar, ouvir histórias, dramatizar, jogar com regras entre outras atividades constituem meios prazerosos de aprendizagem. Além disso, expressam suas criações e emoções, refletem medos e alegrias, desenvolvem características importantes para a vida adulta. Com efeito, o brincar se constitui como recurso da psicopedagogia, tanto para tratar dos distúrbios, quanto levantar hipóteses diagnósticas, a respeito da estruturação lógica do pensamento nos fornecendo informações sobre como está organizados o pensamento da criança, seu nível operatório e sua elaboração prática nos processos de vencer situações problemas nos aspectos afetivos, sociais e cognitivos. Mas como precisar a importância do brincar na escola? Como pensar no brincar como construção do conhecimento? Lino de Macedo faz uma argumentação eficaz quanto a isso “... o conhecimento tratado como um jogo pode fazer sentido para a criança. Não se trata de ministrar os conteúdos escolares em forma de jogo... mas possibilitar que aprendam com seriedade, com leveza e prazer; sem medo”.(Macedo, 1997, 139). A postura psicopedagógica é propiciar modalidades de aprendizagem que possibilitem para cada ser aprendente sua singularidade através de experiências, e quanto a isso Fernández (2001, 71) diz que “o jogar-brincar da criança não só é produtor do sujeito enquanto sujeito desejante, mas também enquanto pensante. A inteligência se constrói a partir do jogar-brincar”. Resgatar o prazer em aprender, já desconhecido por muitas crianças, e conseqüentemente proporcionar mais e melhores condições de desenvolvimento se faz necessário e urgente.A importância do brincar tem sido evidenciada também em pesquisas recentes que levam a supor que o brincar pode aumentar certos tipos de aprendizagens, em particular, aqueles que requerem processos cognitivos mais elaborados Através da imaginação e da exploração, as crianças desenvolvem suas próprias teorias do mundo, que permitem a negociação entre o mundo real e o imaginado por elas. Assim, dando tempo para brincar, um ambiente para explorar e materiais que favoreçam as brincadeiras, os adultos estarão promovendo a aprendizagem das crianças.As brincadeiras proporcionam o aprender fazendo e brincando, possibilita à criança apreender novos conceitos, adquirir informações e até mesmo superar dificuldades que venham a encontrar em suas tentativas de aprendizagem. A sociedade em si reconhece o brincar como parte da infância. Essa nobre atividade é destacada como vimos nas várias concepções teóricas, onde cada um à sua maneira, mostra a importância da brincadeira para o desenvolvimento infantil como também para a aquisição de conhecimentos. Diante da relevância do brincar para o desenvolvimento da criança viu-se a partir da década de 60 surgirem as brinquedotecas na Europa e no Brasil em 1980, estimulando instituições a destinarem atenção ao ato de brincar.O professor Airton Negrine argumenta que Quando estamos no âmbito de uma brinquedoteca infantil, podemos afirmar que é jogando que a criança constrói conhecimento. É através do jogo que os processos mentais elementares vão se transformando em processos mentais superiores. . . ao brincar a criança faz uma releitura do seu contexto sócio-cultural emergente, amplia, modifica, cria e recria através dos papéis que elege para representar. (Santos, 1997,86).
As funções das brinquedotecas mantêm um elo direto tanto com as crianças como também com contexto na qual está inserida. Entre elas, orbitam as funções: pedagógica, social e comunitária.A brinquedoteca de cunho pedagógico é a que favorece a possibilidade de escolha de bons brinquedos para subsidiar a utilização dirigida das brincadeiras. Eles são classificados, organizados e catalogados pelas suas características, para que os educadores possam levá-los para a classe e usá-los em determinadas situações de aprendizagem.Favorecer o acesso a brinquedos e aos jogos que normalmente as crianças de baixa renda não teriam possibilidades de contato, faz parte da função social da brinquedoteca.Já a função comunitária prioriza a apreensão de conceitos como: respeito, ajudar e ser ajudado, cooperação e compreensão, com o auxílio dos jogos em grupo.Como conseqüência imediata quanto à sua criação, a brinquedoteca pode adquirir várias características conforme a necessidade da comunidade que a originou.A criação de uma brinquedoteca pode variar segundo o local, instituição mantenedora, faixa etária a que se destina ou até mesmo em relação às finalidades para as quais ela está sendo criada, considerando fundamentalmente o contexto sócio-cultural onde se insere. (Santos, 1997, p.85).
Dentro de uma perspectiva comunitária podemos destacar a ação da Pastoral da Criança, que norteada pelo seu principal objetivo que é o de mobilizar a família e toda a comunidade para que, num contexto de fé, desenvolvam ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida das crianças, desenvolve o projeto “Brinquedos e Brincadeiras” que prioriza o estímulo de brincar nas comunidades, tendo como principal objetivo “estimular nas nossas comunidades o brincar como elemento indispensável ao pleno desenvolvimento das crianças”. (SANTOS, 1997, p.10). Tal projeto propõe assim a implantação de brinquedotecas comunitárias. A brinquedoteca da Pastoral da Criança se difere das demais por não possuir locais e muito menos recursos para a reunião de um acervo de brinquedos, criando assim características próprias como:A) O resgate da cultura local, através do estímulo às danças jogos, músicas e outras atividades lúdicas de cada comunidade;B) O incentivo de brincar junto, em que as famílias, compreendendo a importância das atividades lúdicas, delas participem;C) O estímulo a atividades realizadas em contato com a natureza;D) A realização de oficinas de brinquedos, onde os adultos e adolescentes constroem, com material de baixo custo coletado pela própria comunidade, brinquedos que possam ser doados, emprestados ou trocados para as crianças menores;E) A troca de brinquedos, quando as crianças e as famílias emprestam seus brinquedos industrializados ou construídos artesanalmente, para que todos tenham oportunidade de vivenciar brincadeiras diferentes. Destaca-se aqui este projeto por ter sido a partir de experiências como voluntária do mesmo, que surgiu o interesse pela pesquisa em questão.

DIVERSIDADE METODOLÓGICA NA EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS: BREVE REVISÃO HISTÓRICA

A imaginação, a criatividade e a capacidade de transformar matérias primas em utensílios são as características básicas que separam o ser humano das demais espécies vivas. Essas condições foram adquiridas ao longo de milhares de anos, quando o homem passou a socializar-se, seja vivendo em comunidades ou pelo simples fato de domesticar alguns animais. Em tempos de pré-história, pressupõe-se que o homem começou a fazer pinturas rupestres por acreditar que aquele desenho feito na parede da caverna traria a caça ao caçador. Um misto de superstição e necessidade impulsionou o homem primitivo à comunicação. Indubitavelmente, a utilização dos sentidos e as experiências vividas no cotidiano foram precípuas à formação do homo sapiens.Na antiguidade se utilizavam doces e guloseimas em forma de letras e números para o ensino das crianças. Platão e Aristóteles utilizavam-se do brinquedo na educação, numa tentativa de associar a idéia de estudo ao prazer. Neste período detectou-se a importância da educação sensorial e conseqüentemente se utilizou o jogo didático, quando anteriormente, a brincadeira era considerada como recreação ou mesmo como objeto de fuga da realidade “e a imagem social da infância não permitia a aceitação de um comportamento infantil, espontâneo, que pudesse significar algum valor em si” (Wajskop, 2005,19).Conhecida por seu obscurantismo intelectual, a idade média foi responsável pela estagnação científica na qual a sociedade européia permaneceu aproximadamente por um milênio. O domínio ideológico exercido pela Igreja Católica foi determinante para desacelerar o desenvolvimento das técnicas de ensino. Ao monopolizar a racionalidade, a Igreja pôde explorar com maior eficiência a população ignorante. Abominando o lazer e o prazer, transformou o aprendizado num processo cansativo e desinteressante.Chegando o Renascentismo científico cultural intelectual, houve um resgate das ideologias greco-latinas, entre elas o epicurismo: a busca do prazer. Era importante, então criar mecanismos que tornassem as técnicas de ensino mais objetivas e interessantes. A partir desse período, inúmeros estudiosos preocuparam-se com tais questões e os jogos e brincadeiras inserem-se nesse contexto. Porém, esta consciência pedagógica sobre a importância do espírito infantil (e conseqüentemente do lúdico) no processo ensino-aprendizagem, sofreu uma grave ruptura, como um ato desesperado de remissão de culpa, houve uma mudança para a paparicação; ato este condenável e objeto de discursos de vários militantes que instigando a sociedade a acreditar que a paparicação era para o seu próprio prazer e não para o afeto das crianças. Deu-se início então, a uma escola que se reorganizou para se adaptar a essa função disciplinar, instrutiva e essencialmente contra a paparicação: uma instituição com regras discriminatórias por séries a partir de faixas etárias e do grau de conteúdo do ensino e prioritariamente uma escola com divisões internas para o estudo e para o lazer, tornando-se algo similar à escola contemporânea.Apesar da função disciplinar do século XVII no século XVIII verificou-se uma tentativa de melhor estruturação da noção de infância. Rousseau, Pestalozzi e Froebel deram atenção especial à proteção da infância e ao modo que a criança deve viver essa fase da vida, pois acreditavam que a criança era portadora da verdade e concomitantemente a brincadeira infantil passou a ser respeitada. A influência de tais idéias permitiu que fossem criados brinquedos voltados à educação sensorial. Wasjskop (2205,20) afirma que “esta valorização, baseada em uma nova concepção idealista e protetora da infância, aparecia em propostas educativas dos sentidos, fazendo uso de brinquedos e centrada no divertimento”. Para Rousseau, a verdade dependia de uma “sinceridade do coração” e nada mais sincero que a criança, pois, na fase infantil o ser humano ainda não foi corrompido pela realidade social e cultural e só por isso detém o mérito de ser uma fase que deveria ser preservada. Quando se fala em modernidade, contudo, não são necessários muitos anos para tirar o homem do seu estado natural e inseri-lo na sociedade contemporânea. A fim de tornar tal tarefa, cada vez mais rápida e eficiente, estudiosos desenvolvem maneiras de transformar crianças – supostamente representando o estado de natureza humana – no ser racional que poderá tornar-se. Assim, creditando força ao pensamento do homem moderno que acreditava que, se existindo de fato e naturalmente a infância como uma fase especial da vida, havia necessidade de preservá-la, surge o brincar dirigido. Da observação analítico-comportamental de crianças na fase pré-escolar, os profissionais da área educacional se sentiam intrigados com o crescimento exploratório, interacional e criativo após as brincadeiras de faz-de-conta. A partir de então, desenvolveram-se cada vez mais jogos, brincadeiras e outras maneiras de captar o interesse infantil pelo conhecimento. Friedirich Froebel, Maria Montessori e Decroly foram os primeiros pedagogos da educação pré-escolar a romper com a educação verbal e tradicionalista de sua época. Propuseram uma educação sensorial, baseada na utilização de jogos e materiais didáticos, que deveria traduzir por si só a crença em uma educação natural dos instintos infantis. No movimento das Escolas Novas, que fazia oposição aos métodos tradicionais de ensino, que não respeitavam os mecanismos de evolução bem como a necessidade infantil, Maria Montessori se destacou por suas técnicas inovadoras, as quais são utilizadas ainda hoje não somente nas séries iniciais (três a seis anos para as quais originalmente foi criado), mas ampliaram-se indo desde o atendimento a mulheres grávidas (como orientador para o parto), como mediadoras nas dificuldades do Ensino Médio e até mesmo do Ensino Superior. “Pestalozzi deu às crianças a liberdade sem material; Froebel deu-lhes o material e Montessori deu-lhes a liberdade com material”.(Mafra, 1986,14). Para abrir a via que levasse em conta a brincadeira, foi preciso perceber a criança como portadora do valor da verdade, da criatividade; foi preciso, sobretudo, que se desenvolvesse uma confiança quase cega na natureza. A brincadeira é boa porque a natureza pura, representada pela criança, é boa. Tornar a brincadeira um suporte psicopedagógico é seguir a natureza. É por tudo isso que jogos educativos e brincadeiras que agucem os sentidos infantis proporcionam um aprendizado mais prazeroso. Crianças que brincam têm mais possibilidades de se tornarem jovens e adultos melhores, pois ajuda no desenvolvimento do raciocínio, ensina valores, alivia tensões, ensina a conviver a ter tolerância e o respeito às regras. É assim que os educadores deveriam despertar o interesse da criança sem que essa obrigação se tornasse demasiadamente cansativa para os pequenos.
BRINCAR E APRENDER
“Brincar e aprender são dois processos diferentes que se fazem em um mesmo espaço, descrito por Winnicott como espaço transicional, espaço da criatividade, espaço do jogar e eu acrescento espaço do aprender”. (Fernández, 2002, 101). Longe de ser apenas uma atividade natural da criança, a brincadeira é uma aprendizagem social. As brincadeiras dos adultos com as crianças pequenas são essenciais nessa aprendizagem, pois a brincadeira permite decidir, pensar, sentir emoções distintas, competir, cooperar, construir, experimentar, descobrir, aceitar limites, surpreender-se, pois, “o brincar é o principal meio de aprendizagem da criança... a criança gradualmente desenvolve conceitos de relacionamentos causais, o poder de discriminar, de fazer julgamentos, de analisar e sintetizar, de imaginar e formular”. (Des, apud Moyles, 2002, 37). Apesar de se saber que a criança não é um adulto que ainda não cresceu, que o importante não é ensinar, mas dar condições para que a aprendizagem aconteça e que hoje já existem pessoas preocupadas com os direitos das crianças, elas continuam desrespeitadas na sua condição de seres humanos em desenvolvimento. Todas as crianças precisam brincar, mas nem todas têm oportunidade. Algumas porque precisam trabalhar, outras porque não têm com o que brincar, outras porque precisam estudar e conseguir notas altas. Existem crianças socialmente prejudicadas, aquelas que não usufruem os benefícios de um lar e uma família organizada e muitas vezes sentem dificuldades em adaptar-se à escola. São infinitas as oportunidades de descobrir e criar que estão presentes nas brincadeiras infantis. Mas, o brincar das crianças é considerado apenas uma recreação sendo que a atividade pedagógica é realizada em um outro ambiente, menosprezando assim as aquisições que essa brincadeira pode oferecer. Opondo-se a este pensamento, “a brincadeira é uma forma de atividade social infantil cuja característica imaginativa e diversa do significado cotidiano da vida fornece uma ocasião educativa única para as crianças” (Wajskop, 2005, 30).Brincar tem características peculiares como o prazer, o desafio, limites, liberdade. Exige movimentos, flexibilidade e tem para a criança um caráter sério que não é feito de qualquer maneira, pois ela se empenha para realizar o seu melhor.Brincando ela aprende a viver e a formar conceitos, avançando dessa forma, etapas importantes para o seu crescimento. Brincando a criança adquire experiências que serão indispensáveis no seu dia-a-dia, pois provoca, exercita, desenvolve o funcionamento do pensamento explorando suas potencialidades.Maluf (2004, 33) pontua que “as crianças comunicam-se através do brincar e por meio dele tornam-se operativas”. A importância da brincadeira está intrinsecamente ligada ao seu valor operatório, pois, implica em assimilação de esquemas.Pela necessidade que a criança tem de brincar é preciso criar sempre oportunidades em casa e na comunidade para que ela possa brincar livremente. Nenhuma criança brinca só para passar o tempo, brincar é sua linguagem secreta.Além de deixar qualquer criança feliz, o brincar desenvolve os músculos, a mente, a sociabilidade, a coordenação motora e auxilia-a na superação de suas dificuldades. “Brincar é muito importante, pois enquanto estimula o desenvolvimento intelectual da criança, também ensina, sem que ela perceba, os hábitos necessários ao seu crescimento” (BETTELHEIM, apud MALUF, 2003, p.19).Existem dois tipos de brincar: o brincar livre e o brincar dirigido. O brincar livre, conceitua-se pelo lúdico informal, geralmente no espaço familiar: de passeios, de comunicação, de informação, de descobertas, de assistir televisão, enfim, brincadeiras que, apesar de serem de iniciativa da criança, sem pretensões educativas, assumem características de aprendizagens consideráveis para ela, que se utilizando de conhecimentos pré-adquiridos, possibilitam a apreensão de novos, para apropriar-se de seu entorno, desenvolvendo sua cultura lúdica.Agindo de forma lúdica, há possibilidade da criança assimilar a cultura do seu grupo social e interpretar os modos de vida adultos de forma participativa e essa cultura lúdica irá constituir uma bagagem cultural para a criança e se incorporar de modo dinâmico a uma cultura mais ampla.É preciso lembrar que a cultura lúdica que evolui com a criança é em parte, determinada por suas capacidades psicológicas, as quais podem permitir ou impossibilitar algumas ações ou representações, pois o pensamento da criança evolui a partir de suas ações, por isso as brincadeiras são importantes para o desenvolvimento do pensamento infantil e “quanto maior for à imaginação das crianças, maiores serão suas chances de ajustamento ao mundo ao seu redor”.(CUNHA, 2001, p.23).No que diz respeito ao brincar dirigido, ele é entendido à luz de algumas teorias sobre a aprendizagem, onde a atividade lúdica é direcionada para fins de aprendizagem e a criança vive experiências em níveis diferentes de complexidade e envolve assim através do brincar, suas capacidades cognitivas, ou seja, o brincar dirigido como um procedimento que pode compor o processo diagnóstico do psicopedagogo. Portanto para dar mais sentido às brincadeiras, deve-se propor atividades que exercitem sua imaginação, criatividade, equilíbrio, agilidade de movimentos e raciocínio. Conseqüentemente, que o brincar livre e o brincar dirigido, desenvolvem-se em uma inter-relação positiva. No brincar livre, a criança utiliza sua cultura lúdica aliada ao que aprendeu no brincar dirigido. Por sua vez, será observado no brincar dirigido as experiências adquiridas pelo brincar livre com outras crianças. Assim sendo, as crianças precisam de tempo, espaço, companhia e material para brincar. Desta maneira a escola pode e deve reunir experiências para que aprendam e assimilem nesse processo de descobertas que é fundamental para o seu desenvolvimento.Na área da educação, a preocupação com o lúdico se manifesta apenas pela qualidade dos brinquedos disponíveis no acervo, sem se levar em conta os significados que esses objetos carregam. Não se trata de intervir psicopedagogicamente em toda a brincadeira, mas de compreender a especificidade e importância da intervenção e prevenção que pode existir na brincadeira, atentando para o fato de que hoje já não se pode mais educar apenas com lápis, papel, mesa e cadeiras,O educador pode, portanto, construir um ambiente que estimule a brincadeira em função dos resultados desejados. Não se tem certeza de que a criança vá agir, com esse material, como desejaríamos, mas aumentamos, assim as chances de que ela o faça; num universo sem certeza, só podemos trabalhar com probabilidades. (Brougère, 2000,105).
A brincadeira com intenção psicopedagógica é aquela organizada de maneira que os participantes sejam ajudados a desenvolver confiança em si mesmo, em suas capacidades e a ser empático com os outros, ou seja, um ser pensante, com possibilidades de expansão no seu desenvolvimento pleno.

A importância do brincar para o desenvolvimento e aprendizagem da criança de 0 a 6 anos: uma experiência na comunidade JK.

INTRODUÇÃO
O brincar faz parte da vida do ser humano, em especial da vida da criança, e apesar dessa atividade ter sido vista como algo sem importância, hoje, é um assunto que tem conquistado espaço nas mais diversas áreas de conhecimento. É preciso refletir sobre a necessidade de se inserir uma metodologia ativa baseada em brinquedos e brincadeiras, considerando a idade da criança e o processo de construção do conhecimento, respeitando-se assim sua predisposição natural, pois criatividade e autonomia se desenvolvem quando se propicia à criança um ambiente familiar e escolar que favorecem essas características.A consciência de que a fase decisiva para a criança conquistar uma aprendizagem efetiva é a que antecede o ensino fundamental, tem levado um número crescente de estudiosos a propor que a criança seja atendida mais cedo, como única solução para poder compensar as desvantagens que atingem as crianças mais pobres, dando-lhes melhores chances de sucesso quando mais tarde, entrarem na escola.Diante disso, o atendimento da criança de zero a seis anos intensificou-se com a LDB – 1996, onde o Ministério da Educação e do Desporto propôs um documento intitulado Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, que tem como objetivo servir de referência para a elaboração dos currículos e a definição dos conteúdos básicos para Creches e Pré-escolas, além de oferecer subsídios para o trabalho do professor. Desta maneira, o voluntariado de pessoas preocupadas com o bem comum, tem levado alegria a muitas crianças e famílias acompanhadas que através de atividades tem ampliado a compreensão dos pais sobre o desenvolvimento e a educação dos seus filhos.A proposta da Pastoral da Criança que desde a fundação em 1983, vem aprimorando o acompanhamento às crianças menores de seis anos, tem a intenção de atuar com uma abordagem integral do desenvolvimento da criança com relação a ações básicas de saúde e nutrição desde o ventre materno até os seis anos de idade, apresentando sugestões de como abordar o assunto com os pais, envolvendo as famílias, e comunidades mais carentes.No campo educacional elaborou-se então um programa específico que se denominou Educação Essencial, onde o objetivo é oferecer à criança as condições essenciais ao seu desenvolvimento, no âmbito familiar, sem a preocupação de organizar serviços formais como creches ou pré-escolas.Nesse programa, as voluntárias aproveitam para debater com os participantes temas como a importância do brincar, a necessidade de oferecer brinquedos e brincadeiras que serão antes de tudo, estimuladores do seu desenvolvimento e tem como objetivo sensibilizar as famílias para a importância da atividade lúdica para a criação de laços afetivos entre as gerações.À medida que as experiências passam a enriquecer as comunidades e famílias, vão oferecendo novas oportunidades de desenvolvimento para as crianças de baixa renda. Já não dá mais para esconder o estrondoso fracasso escolar que as estatísticas revelam com as crianças de diferentes meios sócio-culturais. As crianças pobres são, na maioria, excluídas da escola sem ter aprendido nada de útil para sua vida e seu trabalho, considerando-se como inferiores aos outros, ou seja, aos que tem sucesso. Os problemas, as dificuldades de aprendizagem como a leitura, escrita, cálculos matemáticos, somam-se aos problemas de atividade motora (hiperatividade, hipoatividade, dificuldades de coordenação); atenção (baixo nível de concentração); questões psicológicas (desajustes emocionais leves); memória (dificuldade de fixação); percepção (confusão entre figuras, inversão de letras); sociabilidade (inibição social, agressividade) e também a indisciplina. Então, os alunos estão aí, cheios de problemas e dificuldades. E as escolas? Será que estão preparadas para a demanda de problemas complexos onde estão incluídas inúmeras variáveis? São alunos, professores, organização curricular, metodologia, estratégias, recursos. É importante salientar que a escola deve valorizar os muitos saberes do aluno oferecendo-lhe meios para que se desenvolva, produzindo conhecimentos importantes e necessários para sua vida futura, colocando-o em contato com suas habilidades e dificuldades, despertando sua imaginação e a criatividade. Mas a educação não começa na escola. Ela começa muito antes e é influenciada por vários fatores. Ao longo do seu desenvolvimento físico e intelectual, a criança passa por várias fases nas quais o ambiente familiar, as condições sócio-econômicas, o lugar onde mora e outros, têm uma importância muito grande. A origem da pesquisa partiu de uma experiência em comunidades como voluntária da Pastoral da Criança, bem como o interesse pelo tema: “Brinquedos e Brincadeiras”, da observação e da preocupação com as crianças e sua história de vida na comunidade que está inserida, diante da sua falta de interesse, do sofrimento em resolver problemas propostos. A ação se deu no sentido de provocar uma mudança de fracasso, para uma luta coletiva pelo sucesso na alfabetização e na vida dessas crianças. A pesquisa na Creche foi realizada através de observações, conversas em diversos grupos, em reuniões de pais e algumas palestras. Neste sentido, pretende-se fazer um aprofundamento teórico-prático quanto ao brincar como instrumento favorecedor do processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças de três a seis anos de idade, partindo do questionamento: As crianças de baixa renda de três a seis anos da cidade de Imperatriz, estão tendo acesso a atividades lúdicas como meio através do qual, famílias e escolas contribuem no seu aprendizado e desenvolvimento como um todo? O presente trabalho visa à educação, a cultura e o lazer das crianças da comunidade JK. Para a revisão bibliográfica que subsidiará a elaboração deste, com propostas de diversos teóricos, se usará os métodos histórico-lógico, indutivo-dedutivo, se fará uma investigação de campo, através dos métodos analítico-sintético e qualitativo, a partir de observações e entrevistas, a fim de avaliar a prática da utilização do brincar como suporte de diagnóstico no contexto educacional e familiar da comunidade em questão. O trabalho apresenta a partir daí algumas ações que poderão servir de exemplos a serem analisados pelas instituições que realizam trabalho educativo com um público similar ao deste estudo e que poderão ser utilizados pelas mesmas. Dessa forma, abordaremos o lúdico no contexto do diagnóstico psicopedagógico sem desconsiderar seu papel no processo de intervenção/prevenção. O objetivo principal aqui é analisar qual a contribuição dos brinquedos e brincadeiras no desenvolvimento do processo de aprendizagem da criança, bem como diagnosticar como as famílias de baixa renda concebem e vivenciam o brincar; relacionar o ato de brincar e o ato de aprender, analisando os benefícios proporcionados ao desenvolvimento da criança, propor um conjunto de atividades e objetos lúdicos que devem compor as brinquedotecas e por fim, explorar a riqueza do brincar em uma brinquedoteca como uma forma de exercitar capacidades daqueles que de uma forma ou outra, estão encontrando alguma dificuldade em sua história escolar. O estudo se divide em dois momentos distintosautores que tiveram a preocupação desde a antiguidade com o que se deveria conhecer e entender sobre crianças e seu desenvolvimento; autores que discutem a evolução do aprendizado diante do brincar e a importância do aprender de uma forma prazerosa, e aqueles que têm uma proposta na utilização de atividades lúdicas na educação. São citados também aqueles que vêm buscando uma melhor forma de explorar e inserir brinquedos e brincadeiras no contexto educacional, instigando assim um efeito positivo durante o processo diagnóstico e interventivo.Em seguida, apresenta-se a pesquisa de campo com os dados obtidos.