segunda-feira, 21 de maio de 2012

ALFABETIZAÇÃO

Sintéticos, analítico-sintéticos, globais. Os professores têm várias ferramentas para que as crianças aprendam a ler e os pais não devem ficar de fora deste processo. Da palavra à letra, da letra à palavra, passando pelas sílabas, os pré-requisitos são fundamentais.

Aprender a ler é um passo importante. Há vários métodos para ensinar a juntar as letras e reproduzir os sons e os professores têm a tarefa de escolher um ou mais para que a aprendizagem aconteça. Os pais têm também um papel importante e brincar ajuda a valorizar o processo. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, referentes aos Censos de 2001, enquanto os números recolhidos este ano ainda não são conhecidos, cerca de 9% da população portuguesa é analfabeta.

A UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, revela que cerca de 16% da população adulta mundial não sabe ler nem escrever, dois terços são mulheres. O Dia Internacional da Alfabetização foi assinalado a 8 de setembro. No nosso país, há sinais de melhorias: 52,4% dos jovens dos 15 aos 24 anos afirmam que a leitura é muito importante para a vida pessoal num inquérito feito em março deste ano, no âmbito da avaliação externa do Plano Nacional de Leitura (PNL). Em 2007, a percentagem era de 30,6%. Em cinco anos de existência, o PNL "ajudou a reforçar as competências de leitura" e agora quase 99% dos professores garantem que os seus alunos leem mais.

"O processo de aprendizagem é complexo. O aluno tem de perceber que as letras reproduzem os sons da fala. Hoje, pede-se ao aluno que analise os sons que produz, a língua oral, antes e em paralelo com a aprendizagem da escrita." Ana Rodrigues, professora do 1.º ciclo do Ensino Básico, explica o caminho. Há vários métodos de aprendizagem da leitura e da escrita que se situam entre os sintéticos, analítico-sintéticos e os globais. Mas esta aprendizagem requer alguns pré-requisitos linguísticos, cognitivos e até emocionais.

Ana Rodrigues aproveita o que considera oportuno de cada método para que os seus alunos aprendam a ler. O importante é que os mais pequenos tenham já algumas ferramentas como, por exemplo, uma boa discriminação fonológica. E os professores têm a tarefa de trabalhar os pré-requisitos com os alunos. "Por onde tenho passado, os métodos mais utilizados pelos professores são aqueles que se dizem sintéticos ou analítico-sintéticos", refere. E porque existem diferentes métodos? "Diria que se deve a uma busca pelo método ideal. A pedagogia, a psicologia, a linguística, entre outras, vão sofrendo evoluções e os processos baseados nessas disciplinas, como a aprendizagem da leitura, também", responde.

Ana Rodrigues não reteve uma imagem do momento em que aprendeu a ler. "Não me ficou nenhuma recordação", diz. Mas tem um episódio curioso para contar. Há quatro anos, numa turma mista do 1.º e 4.º anos de escolaridade, constatou que, ao contrário do que seria de esperar, foram os alunos do 4.º ano que mostraram interesse pelas matérias e conteúdos da primeira classe. "Não esperava ver os alunos do 4.º ano completamente fascinados com o processo de aprendizagem da leitura e escrita dos do 1.º ano." "Falámos sobre isso e eles, apesar de terem efetuado a aprendizagem da leitura há pouco tempo, não tinham memória, consciência, do desenrolar desse processo", lembra.

Manuela Sousa, professora do 1.º ciclo, refere que o método mais utilizado para ensinar a ler é aquele que acompanha os manuais, ou seja, o sintético. "É evidente, quer seja este método utilizado ou outro, ele nunca estará a ser utilizado de forma exclusiva", avisa. O professor tem a liberdade de misturar métodos. Para a professora, mais importante do que isso são as estratégias utilizadas.

"É necessário haver estratégia, gestão e todo um conjunto de criatividade que permitam ao aluno aprender." A estratégia não pode caminhar em apenas um sentido e os conhecimentos que o aluno tem são importantíssimos para juntar as letras e começar a ler. "Acredito que antes de iniciar qualquer tipo de aprendizagem na leitura e escrita de palavras, frases, textos, há que insistir na parte fonológica. Porque o ‘a' não tem sempre o mesmo som", explica. Para Manuela Sousa, não há uma melhor maneira de as crianças aprenderem a ler. "Há um professor, um orientador".

Neste momento, a articulação entre o pré-escolar e o 1.º ciclo acaba por espicaçar a curiosidade dos mais pequenos que têm ao dispor livros do Plano Nacional da Leitura e que se habituam à presença das letras cada vez mais cedo. Joaquina Quintas, professora do 1.º ciclo, também refere que há vários métodos para ensinar a ler e a escrever. Da palavra à letra, ou da letra à sílaba e depois à palavra, ou das histórias que conduzem à letra, há de tudo um pouco para abrir as portas ao mundo das letras. "Não há um método rígido".

"Normalmente, acaba por haver uma fusão de métodos para uma melhor aprendizagem da leitura e da escrita." Os professores podem escolher e adaptar o que acharem mais conveniente ao grupo que encontram pela frente. Este ano, com o plano de leitura da Língua Portuguesa, os docentes acabam por ter mais formação na área. E se há um aluno que se atrasa? "O professor pode usar outras maneiras de estar no grupo, outro método."

Joaquina Quintas aprendeu a ler da maneira tradicional, da letra à palavra, pela memorização. Há mais de 30 anos no ensino, a experiência mostra-lhe que hoje as crianças aprendem a ler mais cedo e com menos dificuldades. "Têm contacto direto com os livros a partir do pré-escolar, dos três anos, e há muitos jogos didáticos magnéticos, para construírem palavras." Há mais contacto com a TV e com os computadores. A professora do 1.º ciclo chegou a ter alunos que aprenderam a ler com o antigo programa da RTP "Rua Sésamo". Há uma nova maneira de estar que naturalmente se reflete quando os mais pequenos dão os primeiros passos na escola.

Aprender a brincar


Maria José Araújo, professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, adianta que as crianças aprendem cada vez mais cedo a ler e a escrever ao observar e ao interagir com os adultos e amigos "em aprendizagens focadas em rotinas, histórias e atividades sociais diferenciadas". "Há uma diferença entre colocar crianças a memorizar letras e números, a fazer fichas estandardizadas sem significado social, e o uso de diferentes formas de grafismo e registo que permitem às crianças a possibilidade de usufruir de uma aprendizagem pela descoberta", sustenta.

Literacia é uma prática social. As crianças devem perceber o interesse e a importância do ato de ler e escrever para que se sintam estimuladas por esse processo enquanto atividade social. Maria José Araújo revela que "há diversos estudos que mostram que os aspetos criativos e lúdicos de introdução e valorização regular da atividade de leitura e escrita, facilitando a consciencialização do que está a ser aprendido - mensagens escritas, etiquetagem de cabides e materiais pessoais, ilustrações, vocabulário visual, desenhos, recados, jogos, coleções de objetos, embalagens, etc. -, são especialmente adequados para incentivar as crianças ao desenvolvimento da linguagem escrita".

Os interesses são diferentes, os níveis e conhecimentos acerca da literacia variam, cada família e cada instituição têm diferentes formas e recursos para incentivar as aprendizagens. As crianças aprendem muito ao brincar, ao jogar, ao imaginar e fantasiar. E os mais velhos têm um papel importante nesse processo. "As crianças vão ao supermercado, ao hospital e a outras instituições onde exercitam constantemente a sua capacidade de leitura. É muito importante pensar no papel do adulto nesta forma de as crianças brincarem, pois é uma vantagem muito grande para a aprendizagem da leitura como prática de cidadania", refere.

Os pais sabem que brincar é fundamental, mas no correr do quotidiano e nas rotinas, esse ato acaba muitas vezes por ser desvalorizado. Ao brincar, os pais podem ajudar os filhos na prática da leitura e na escrita formal. "As consequências para as crianças que não aprendem a ler e escrever são muito grandes, quer a nível pessoal e psicológico, quer a nível social, com implicações a longo prazo", repara. De forma a prevenir essas dificuldades, as investigações sobre o assunto não param. Brincar surge como uma vantagem neste processo. "Muitos professores argumentam que as crianças que têm mais facilidade de aprendizagem dos conteúdos, que exigem desenvolvimento cognitivo na escola, são aquelas que mais brincaram".



Autora: Sara R. Oliveira

2011-09-26

FONTE DE CONSULTA: http://www.educare.pt/educare/Atualidade.Noticia.aspx?contentid=90393CF58673521CE0400A0AB8001D4F&opsel=1&channelid=0

LER E ESCREVER

Observando um cenário de uma criança de 10 anos lendo em voz alta uma frase simples como “O CAVALO MARROM PULOU POR CIMA DO MURO DE PEDRA E CORREU PELO PASTO” seria simples para a criança que pense no som das palavras, mas para um disléxico da mesma idade que constrói imagens com as palavras lidas, o processo torna-se mais difícil.




A primeira palavra “O” já causa um vazio na imaginação, pois não há imagem nela. Isso já desencadeia uma confusão mental. A criança se concentra e força-se para ultrapassar essa imagem em branco e diz “O” forçando-se a ler a próxima palavra. Esta palavra “CAVALO” PROPUZ UMA IMAGEM mental de um cavalo e concentrando-se diz “cavalo”.







A palavra “MARROM” transforma a imagem anterior num “cavalo marrom” continuando a sua concentração diz “marrom”.







A palavra “PULOU” faz o cavalo se erguer no ar. A criança continua se concentrando e diz “pulou”.







A palavra “POR” novamente produz o vazio e concentrando-se mais ela diz “por”. A palavra “CIMA” faz o cavalo marrom se erguer e concentrando, diz “cima”.







A palavra “DO” produz o branco novamente aumentando sua confusão, porém o seu limite da confusão ainda não foi atingido. Agora ela precisa dobrar a concentração para ir adiante para a próxima palavra “DO” e ao fazer isso ela pode até omitir esta palavra.







A palavra “MURO” produz a imagem de um muro e com a concentração redobrada diz “ muro”. A palavra “DE” produz branco de novo mas ela ainda consegue dizer “de”.







A palavra “PEDRA” transforma o muro num muro de pedra e ainda com a concentração redobrada ele diz “pedra”.







A palavra seguinte “E” produz espaço em branco novamente e desta vez atinge o limite da confusão que a deixa sem orientação. Ela para, mais confusa, duplamente concentrada e agora desorientada. A única maneira dela continuar lendo é aumentando ainda mais a concentração, mas como agora ela está desorientada os sintomas da dislexia vão aparecer. É possível que ela deixe de dizer a palavra “E”’ ou substitua por “i” “a” “o’ e agora já não consegue mais formar uma percepção clara das palavras na página.







Agora ela faz um esforço muito grande para se concentrar e gasta muita energia para conseguir continuar lendo.







A palavra “ CORRER” como ela esta desorientada é substituída por corro e faz uma imagem de si mesmo correndo que não tem relação com o “cavalo marrom”.







A próxima palavra “PELO” produz a imagem vazia novamente. Ela para de novo, mais confusa, ainda mais desorientada. A única maneira dela continuar lendo agora é quadruplicando o esforço para a concentração, mas quando faz isso deixa de dizer a palavra “pelo”.







Esse tipo de confusão já pode ter produzido uma sensação de tonteira, se sente enjoada e as palavras não estão mais nítidas na página.







A última palavra “PASTO” ela precisa decifrar letra por letra para pronunciar o som da palavra e vai ver um capinzal, mas apesar disso consegue pronunciar a palavra “pasto”.







Quando termina ela fecha imediatamente o livro e o afasta, como se dissesse “CHEGA DISSO”.







Se perguntar o que ela acabou de ler poderá dizer “um lugar onde o capim cresce”. Ela até tem a imagem de um cavalo no ar, ele mesmo correndo, um muro de pedra, mas não consegue relacioná-las.







Quem ouve esta criança lendo pode dizer com certeza que ela não entendeu nada do que leu, mas ela não se importa de não entender, só está aliviada de ter sobrevivido a aflição dessa leitura. Se fosse um pouco mais velha saberia não entendeu o que acabou de ler e poderia voltar a ler. Mas vendo o cenário acima, você acha que adiantaria? Não.





Se for um adulto vai reler algo importante de três a dez vezes para entender ou então vai desistir.

Se você se encaixa neste exemplo ou seu filho, não desista achando que precisará ser sempre assim, procure ajuda e melhore sua capacidade para ler com mais conforto e mais facilidade. Tudo é modificavel!



Magna de Oliveira Melo